Bem-estar

Banho de sol no bebê é mesmo necessário? Especialistas esclarecem

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A exposição à luz solar, feita de forma controlada, pode trazer diversos benefícios ao ser humano, principalmente durante os primeiros meses de vida. A principal característica da luz solar, ou dos raios ultravioleta do sol, é a possibilidade de fazer o corpo absorver Vitamina D, mesmo que a vitamina possa ser adquirida oralmente, através de suplementação. Entretanto, especialistas ressaltam que o banho de sol no bebê é necessário no tratamento de ‘pele amarela’ e também pode gerar ‘hormônios da felicidade’.

A pediatra Sônia Almeida, que atua em clínica própria, no Vieiralves, zona centro-sul de Manaus, explica que um dos benefícios adquiridos através dos raios ultravioleta do sol sobre a pele do bebê é o aumento da Vitamina D no corpo. A recomendação se estende, inclusive, a pessoas de todas as idades.

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“A vitamina D é sintetizada na pele quando os raios solares convertem uma molécula chamada de pró-Vitamina D, que é uma forma inativa da vitamina, e então ela entra na circulação sanguínea, e é transformada na sua forma ativa no fígado e rim”, explica a pediatra.

A Vitamina D é vital para a saúde do ser humano. No período da infância, sua importância é ainda maior, visto que ela ajuda na fixação do cálcio no osso, na formação dos ossos e desenvolvimento muscular, processo que segue até a adolescência, de acordo com a pediatra. “Os efeitos da Vitamina D influem até mesmo na imunidade, na resistência do organismo as infecções”, informou.

Vitamina D e banho de sol no bebê

Ela diz que os benefícios do banho de sol no bebê são conhecidos há muito tempo. Para Sônia Almeida, é importante que os pais entendam que a pele do bebê é muito sensível, e, por isso, é preciso saber como usar para evitar complicações e proporcionar mais resultados benéficos.

Além disso, a pediatra ressalta que bebês e crianças que passam pela exposição solar controlada têm melhor qualidade de sono, já que a vitamina D também modula alguns ‘hormônios da felicidade’, como a melatonina e serotonina.

O pediatra Paulo Wagner, que também é professor de pediatria na Universidade Nilton Lins, conta que a recomendação é que o banho de sol no bebê seja diário, para a ativação da Vitamina D, que previne o raquitismo e também ajuda na imunidade do recém-nascido. “De um modo geral, como ela (a vitamina) eleva a imunidade do bebê, além das vacinas que ele toma, o banho de sol também ajuda na proteção contra as patologias de modo geral, as virais e bacterianas”, diz.

Recomendações

Os pediatras concordam que os bebês devem ser expostos à luz solar durante as primeiras horas da manhã, durante cerca de 15 a 30 minutos, no máximo. A pediatra Sônia Almeida conta que, em locais onde os climas não possibilitam um contato maior com a luz solar, onde tem períodos de invernos mais prolongados, é necessário a Vitamina D suplementada através de medicamento.

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Em locais mais quentes, como é o caso de Manaus e grande parte do Norte e Nordeste, a orientação é aproveitar o sol até cerca de 7h30, ou a partir de 17h, quando o calor pelo intervalo de 15 a 30 minutos não chega a ser prejudicial. “Se levar o bebê para tomar banho de sol bem cedinho, ele vai tolerar por mais minutos, na tarde, a tolerância ao calor deve ser em um tempo menor. Mas isso é uma questão de sensibilidade para ver se a criança está confortável ou não”, falou a especialista.

O ideal é que, durante essa exposição, o bebê esteja usando pouca roupa, ou apenas fralda, para aumentar a área exposta aos raios solares. Além disso, também é recomendável o uso de chapéus ou bonés.

O uso de protetor solar é vetado, ou seja, não recomendado, quando a exposição ao sol é feita para absorção da Vitamina D, visto que o produto bloqueia os raios na pele. O pediatra Igor Taques, que também atua como médico de longevidade, ressalta que o uso de protetor solar só é permitido em bebês a partir dos seis meses de vida.

Icterícia: os bebês com ‘pele amarela’

Os pais são muito familiarizados com a informação de que o bebê nasceu com a ‘pele amarela’ e precisa tomar banho de sol para tratar o problema. O pediatra Paulo Wagner, que também faz parte da Coopaneo – Empresa de Médicos Neonatologistas, explica que se trata do quadro de icterícia neonatal.

“Está muito ‘enraizado’ na comunidade a questão do banho de sol para neném que tem esse quadro. Ele é eficaz e ajuda, literalmente, na absorção da bilirrubina, substância natural que causa a icterícia”, conta.

Sônia Almeida lembra que bebês com a ‘pele amarela’ começam o tratamento intensivo no berçário, com o uso de fototerapia, que é feito através de uma luz azul, que simularia o efeito dos raios ultravioleta e consegue eliminar esse pigmento da pele, a bilirrubina, e diminuir a icterícia.

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“Esse pigmento, chamado de bilirrubina, é normal no organismo, mas, em muitos bebês, atinge um nível exagerado, que pode ser considerado patológico e precisa ser tratado. Quando está em um nível seguro, o bebê vai para casa, mas ainda não está 100% seguro, ainda tem icterícia. Então, ele deve tomar banho de sol pra baixar o nível do pigmento para um nível normal”, orienta.

Prematuros
Os especialistas afirmam que bebês prematuros não devem ser expostos a luz solar, porque ainda têm uma pele muito sensível. A partir do acompanhamento pediátrico, a família é orientada a começar o banho de sol no bebê na idade certa e no peso certo. Nesses casos, a Vitamina D é adquirida em solução oral.

“O bebê prematuro terá que ter avaliação mensal ou semanal com pediatra, para ver o momento certo que ele vai precisar dessa exposição. A gente já inicia, como procedimento de rotina, introduzir a vitamina D em gotinha, uma ou duas, porque sabe que essa criança vai demorar mais tempo para pegar sol”, informou a pediatra Sônia Almeida.

Vitamina D - pediatra

Um outro ponto que os pais precisam ficar atentos é que a gestação da mãe também contribui para a Vitamina D no organismo da criança. “Muitas vezes, a mãe já era deficiente dessa vitamina durante a gestação, e isso é muito comum”, diz.

Suplementação oral

O pediatra Paulo Wagner informou que, recentemente, um grupo de especialistas da área vem discutindo a questão de dispensar o banho de sol e repor a Vitamina D de forma oral. “A justificativa é que seria mais fácil para o bebê, mas o banho de sol é um costume de família, que vem dos avós. Até que consiga tirar essa questão do costume, que está ‘enraizado’ nas famílias, e propagar o uso da Vitamina D oral vai demorar muito tempo”, diz.

Já o pediatra Igor Taques, que também integra a Coopaneo, reforça que a Vitamina D ajuda a absorção do cálcio e contribui para a prevenção do raquitismo. “O banho é recomendado sim, para todas as idades. No caso do bebê, a gente fica mais preocupado no primeiro mês, por conta da icterícia, mas o banho de sol é recomendado sempre, porque contribui como um todo no desenvolvimento da criança”, conta.

Victor Cruz
filhos&tal

 

2 Comments

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