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Cadeirinhas para bebês nos supermercados: todo cuidado é pouco, saiba porquê

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Todo cuidado é pouco quando o assunto é a saúde dos filhos. Os pais não devem se descuidar um só instante, pois os perigos podem estar por toda a parte, até mesmo em simples idas a supermercados. O passeio que parece inofensivo pode resultar em consequências desastrosas para quem costuma utilizar as cadeirinhas para bebês disponíveis nos carrinhos dos estabelecimentos.

Tanto no Brasil quanto no exterior, há relatos de mães cujos filhos adoeceram após o uso do assento. Em Manaus, uma lei foi sancionada, em 2014, no sentido de obrigar os supermercados a higienizarem sistematicamente as cadeirinhas para bebês, mas, infelizmente, não há fiscalização adequada.

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Em setembro de 2016, a australiana Viviene Wardrop levou o filho Logan Wardrop, na época com dez meses, a um supermercado e o colocou em um carrinho. No dia seguinte, o bebê apresentou diarreia, vômito, febre e moleira baixa. No hospital, Logan foi diagnosticado com rotavírus, adenovírus e bactéria salmonela, doenças adquiridas ao encostar em algo contaminado e levar a mão à boca.

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Como o filho não havia mudado em nada sua rotina, Vivienne acredita que ele contraiu as doenças ao utilizar a cadeirinha do supermercado, pois, ao colocar o menino no assento, ela não fez uso de álcool em gel, nem de lenços umedecidos. Logan ficou dez dias internado.

Principais cuidados

De acordo com a pediatra Briza Rocha, há um grande número de doenças que podem atingir as crianças que usam as cadeirinhas para bebês em supermercado mal higienizada. “As infecções virais mais comuns são rotavírus e adenovírus. No entanto, essas complicações podem evoluir para casos mais graves, como meningite, por exemplo”, enfatiza a especialista.

A pediatra desta que também podem haver infecções de pele, como escabiose, e até lesões por fungos. “Alguns organismos podem ficar na superfície dos carrinhos por horas ou dias. Portanto, é importante que os pais usem protetores de cadeirinha e álcool em gel”, salienta.

O também pediatra César Sanches reforça que os processos infecciosos de contágios pelo tecido das cadeirinhas para bebês em supermercados podem incluir micoses (causadas por fungos) e escabiose (causada por parasitas que se alimentam das proteínas da pele), sendo as infecções bacterianas ou virais bem menos prováveis, como herpes, HPV ou germes oftalmológicos da conjuntivite, por exemplo.

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O médico enfatiza que nas crianças pequenas e bebês é mais comum que as doenças dermatológicas se proliferem nas áreas de dobra ou regiões da cabeça, pescoço e palmas das mãos. “Por isso é interessante forrar a cadeirinha com um pano ou fralda limpa antes de colocar o bebê, além de lavar as mãos ou, se possível, dar um bom banho na criança assim que chegar em casa”, recomenda.

Sanches orienta também que não se deve fazer qualquer tipo de medicação na criança sem antes consultar um médico, pois o uso de cremes e pomadas de forma errada, por exemplo, pode agravar o problema. “Coceira, descamação e vermelhidão na pele podem sugerir alguma infecção. Alguns medicamentos contam com corticoides em sua formulação, que na pele das crianças possuem alta absorção, fazendo com que o uso frequente leve a efeitos graves, com suspensão da glândula adrenal”, explica.

O médico orienta os pais ainda a considerarem o perigo de traumas, como quedas ou ferimentos. Ao utilizar a cadeirinha para bebês é importante observar se o local está seguro para acomodar as crianças, sem o risco de desequilíbrio. Além disso, também se deve notar se há exposição de metais ou plásticos cortantes. Em caso de traumas, como quedas ou cortes, deve-se procurar o serviço médico o quanto antes.

Em qualquer situação de quadro febril ou lesão na pele, os pais devem procurar o pediatra. Apenas o médico responsável pode dar um diagnóstico mais preciso e indicar o tratamento correto para cada caso.

Higienização é lei

Em 2014, o prefeito de Manaus, Arthur Neto, sancionou a Lei nº 1.818, de 26 de dezembro de 2013, que obriga a higienização de assentos de cadeirinhas para bebês em supermercados, hipermercados e congêneres da cidade, e foi publicada no Diário Oficial do Município. As cadeirinhas devem ser limpas em um período máximo de dois meses.

Conforme a lei, criada pelo ex-vereador de Manaus Francisco da Jornada, os estabelecimentos devem fixar uma placa nos carrinhos de compras informando dia, mês e ano da última higienização do assento. A placa, que deve estar em local visível para o público, deve informar também o telefone do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon).

A Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) também aprovou a lei que obriga supermercados a higienizar cadeirinhas para bebês. A mesma vale também para mercadinhos, shoppings e lojas de departamentos.

Fiscalização será intensificada

Em novembro do ano passado, durante visitas a supermercados, o Procon-Manaus fez alguns autos de constatação em estabelecimentos por conta das cadeirinhas. “Algumas estavam quebradas e não ofereciam a segurança necessária para as crianças. Fizemos um auto, que significa que não há multa, apenas uma orientação à direção do estabelecimento”, comenta a assessora jurídica do Procon-Manaus, Patrícia Lima.

Ainda de acordo com ela, a partir do segundo semestre deste ano, o órgão municipal deve intensificar as fiscalizações nos supermercados e demais empreendimentos semelhantes. “Sabemos que a higienização deve ser feita a cada dois meses e, por isso, vamos intensificar o trabalho de fiscalização para evitar danos à saúde das crianças que fazem uso dos assentos”, observa a assessora.

O Procon-AM informou que também deverá dar encaminhamento à fiscalização.

A psicóloga Daniele Aguiar, 42, tem uma filha de dois anos e meio, e diz que usa as cadeirinhas para bebês em todos os supermercados que frequenta em Manaus, mas confessa que nem sempre se preocupa em saber sobre a higienização dos assentos. “Nem sempre eu tenho esse cuidado, e inclusive não sabia da existência dessa lei, mas acho fundamental, principalmente por conta das mães que não são tão atentas, como eu”.

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