Educação

Como adaptar o cérebro das crianças para o fim das férias escolares

 | 

Levantar cedo, organizar livros, materiais, fardas e começar o dia dentro de uma sala de aula ainda são hábitos que a garotada tem uma certa resistência, principalmente aqueles que passaram mais de um mês em ritmo de descanso e lazer. Com o fim das férias, aquela velha rotina escolar volta a ser um dos maiores obstáculos a ser vencido pelas crianças e também pelos pais no início do ano letivo. Pensando nisso, filhos&tal conversou com uma especialista para ajudar com dicas nesse processo de readaptação do cérebro das crianças para o fim das férias escolares.

A psicopedagoga Priscila Lima enfatiza que o primeiro passo para a readaptação, sem ter de enfrentar a resistência das crianças à volta da rotina escolar, é a prevenção. Priscila destaca que, além disso, é preciso inserir na vida dos pequenos a disciplina e a compreensão para que entendam, desde cedo, que a obrigação de seguir uma rotina mais acelerada com deveres a serem cumpridos, faz parte da vida de qualquer ser humano.

A especialista destaca que é muito comum a criança desorganizar, desprogramar essa estrutura cerebral em relação ao ensino formal, entrando rapidamente no ‘modo férias’. Segundo Priscila, a rotina das férias é muito mais confortável do que a escolar. Por isso, é importante uma programação prévia, com ajustes no horário de comer, dormir e levantar.

Leia também: Brigas entre irmãos: dicas sobre como lidar sem enlouquecer

“Até um adulto tem dificuldade de se readaptar a uma rotina mais acelerada após o fim das férias escolares, imagine uma criança. Então, a orientação é começar a trabalhar essa reorganização de rotina uma semana antes do início das aulas. O horário que a criança costuma dormir e acordar nas férias precisa ser ajustado antecipadamente, construindo uma rotina escolar ainda no período de descanso. Isso reorganiza a estrutura neurológica da criança”, explica a psicopedagoga.

Sobre o sono, Priscila destaca que esse período de repouso deve ser de qualidade para que a criança apresente, desde os primeiros dias de aula, rendimento e disposição para realizar as atividades. Em relação aos alunos que estudam no período da tarde, a psicopedagoga aconselha os pais a manterem a mesma rotina de uma criança que estuda pela manhã.

“Nunca se deve deixar a criança que estuda à tarde acordar quase próximo do horário do almoço. O correto é que ela acorde por volta das 8h30 e, no decorrer da manhã, realize algumas atividades que ajudem na readaptação para o fim das férias escolares. Esse tempo ‘vago’ deve ser aproveitado e preenchido da melhor maneira. Tudo é uma questão de ajuste na rotina”, diz.

Como adaptar o cérebro das crianças para fim das férias escolares 2 - Pixabay

Outro fator importante neste processo de reorganização é o diálogo. Priscila frisa que conversar com a criança é fundamental para esclarecer essa mudança de hábitos. Também é importante incluir a garotada nas atividades feitas pelos pais e que estão relacionadas à escola, como a compra do material escolar, preparação de fardamento, idas e vindas na instituição de ensino para efetivar matriculas etc.

“Esse processo provoca o choque de realidade na criança, deixando claro o fim das férias escolares. Além disso, nesse período, os pais devem incentivar os filhos a lerem um livro, fazerem cálculos e exercícios por meio de jogos. Quando isso é feito, a criança volta para escola sem aquela dificuldade de assimilar o conteúdo pedagógico”, comenta a psicopedagoga.

Leia também: Desenvolvimento infantil: o que observar em cada fase de crescimento da criança

No caso dos pais que não conseguem realizar essa programação prévia, a orientação da especialista é trabalhar a compreensão, a educação e o acolhimento à criança. Palavras de incentivos, mostrando sempre as novidades da escola ajudam nesse processo de readaptação ao fim das férias escolares. Priscila diz que é sempre desbravador romper com as férias e voltar para aula. A partir disso é preciso orientar e instruir a criança sobre a importância da organização dos hábitos diários, transmitindo segurança ao pequeno.

“Mostre para criança que é necessário ela voltar para escola e que essa rotina não é um bicho de sete cabeças. Fale dos amiguinhos, dos professores, da nova sala ou até mesmo da nova escola. Isso desperta o interesse do pequeno para conhecer o novo. Seja acolhedor, incentivador, mais compreensivo e brinque com o filho sobre as novas descobertas que ele fará na escola. Isso é um passo importantíssimo para uma readaptação rápida”, salienta.

Gerson Freitas
filhos&tal

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *