Gravidez

Corrimento na gravidez: problema não pode ser negligenciado

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Durante a gestação, o corpo e o organismo da mulher passam por muitas mudanças e é comum aparecer alguma secreção vaginal. Às vezes, pode não significar nada, mas em certos casos pode ser um sinal de alerta. Então, como identificar se o corrimento na gravidez é normal ou problema?

A ginecologista obstetra Hilka Espírito Santo explica que a própria gravidez aumenta a secreção vaginal e acaba pré-dispondo algumas infecções, porém, o corrimento é um problema e precisa ser tratado.

Professora na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e vice-presidente da Região Norte da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a especialista afirma que o corrimento na gravidez é causado, geralmente, por fungos ou bactérias, que se diferem através da cor.

“Algumas secreções são mais amareladas e oleosas, outras já são mais brancas. No Amazonas, por conta do clima quente e úmido, o mais comum é causado pela cândida, que é um fungo. Geralmente é um corrimento esbranquiçado. Mas essa característica varia de acordo com o causador”, orienta.

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A ginecologista obstetra Mariana Telles, que atende em sua clínica própria, no 10º andar do Cristal Tower, zona centro-sul de Manaus, conta que a candidíase e a gardnerella são as infecções vulvovaginais mais comuns durante a gestação.

Ela explica que o corrimento na gravidez acontece por conta de alterações hormonais que levam a mudanças no PH da vagina. “Esse PH alterado na gravidez está associado a uma baixa imunidade e predispõe a ter mais corrimento, que é a secreção causada pela infecção”, fala.

Telles explica que a candidíase geralmente se manifesta com uma coloração variando do branco ao esverdeado, tipo leite coalhado, e com coceira. A gardnerella, por sua vez, se manifesta com corrimento mais amarelo e apresentar mau cheiro.

Bebê pode sim ser afetado
A obstetra Hilka Espírito Santo fala que, nesses casos, a mulher deve se preocupar sempre que perceber o corrimento na gravidez. De acordo com ela, as infecções podem predispor ao parto prematuro, à ruptura do líquido amniótico e até à infecção urinária. “Sempre que tiver algum tipo de corrimento, a gestante deve procurar saber qual o agente causador: fungo ou bactéria. O obstetra deve fazer a investigação e efetivamente, iniciar o tratamento”, orienta.

Já doutora Mariana Telles ressalta que é importante falar para o médico do pré-natal sobre essas situações, para não ter complicações no momento do parto. Além disso, a mulher não deve se automedicar. “Se tratado no início, não afeta o bebê, mas tem que tratar. Um corrimento na gravidez não tratado pode levar ao parto prematuro e à infecção do líquido amniótico”, reforçou.

A estudante universitária Marina* (nome verdadeiro da fonte preservado), de 25 anos, passou por duas gestações e, em ambas, sofreu com o corrimento. Ela conta que, no começo, achou que fosse algo normal, mas, a partir do momento que sentiu mau cheiro, decidiu procurar um médico. “O que mais me incomodava era o mau cheiro. O corrimento passou a ter um odor muito grande, então eu tinha que tomar banho o tempo todo. Fui ao médico e ele prescreveu um medicamente com urgência, porque esse problema poderia romper a bolsa”, disse.

Corrimento na gestação - Pixabay

O corrimento na gravidez acontece por conta de alterações hormonais que levam a mudanças no PH da vagina – fotos: Pixabay

Na primeira gravidez, Marina diz que começou a perceber o corrimento aos oito meses de gestação e, a partir do momento que começou o tratamento com remédios, os sintomas desapareceram em poucos dias. Entretanto, na segunda gravidez, o problema durou cerca de três meses para sumir, mesmo com medicamentos.

“Era o mesmo tipo de corrimento, uma secreção amarelada, com mau cheiro e que às vezes causava dor na hora de fazer xixi. Como demorou mais para os sintomas sumirem, o médico achava que eu já estava com o fungo causador mesmo antes de engravidar, e, com a gravidez, só piorou”, relembra.

Depois que a universitária encerrou o tratamento e o corrimento parou, ela conta que se sentia mais à vontade para fazer tudo, pois não tinha mais problema com o fedor e estava despreocupada que pudesse se tornar algo pior.

Prevenção x tratamento
A ginecologista obstetra Mariana Telles afirma que se trata o corrimento na gravidez com medicamentos e mudanças de hábitos, como os alimentares e de higiene, dependendo do diagnóstico. “É sempre importante que, para evitar esse problema, assim como outros que ocorrem no período de gestação, a mãe tenha uma boa alimentação, evite estresse, e pratique exercício físico, para não baixar a imunidade e vir a ter esse tipo de infecção”.

A ginecologista Hilka Espírito Santo lembra que mãe diabética tem mais pré-disposição a ter alguma inflamação ou infecção do que uma mãe não diabética. Com isso, é necessário ter atenção em manter os níveis de glicemia adequados também durante a gestação.

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Para evitar o corrimento na gravidez, algumas dicas básicas são recomendadas, como trocar de calcinha cerca de duas ou três vezes ao dia, evitar tomar derivado de lactose e evitar ficar molhada por muito tempo, como em balneários ou praias. Além disso, conforme Telles, no momento em que a mulher sentir que alguma coisa está diferente na secreção vaginal, ela deve procurar um médico para ser tratada o quanto antes.

Uma outra dica de Mariana Telles é que, com 35 semanas de gravidez, a mãe faça o exame de detecção de estreptococos hemolítico, que é um exame de coleta da secreção vaginal da mulher. “Às vezes, a mulher não tem o sintoma, mas pode ter essa bactéria, e o ideal é tratar antes que ela entre em trabalho de parto. Por isso a recomendação é que esse exame seja feito com 35 semanas, pois, caso tenha o problema, faz o tratamento para poder não ter infecção durante o parto, não ter uma infecção neonatal e nem infectar o bebê”, ressalta.

Victor Cruz
filhos&tal

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