Bem-estar

Dentição: por que o bebê sofre com o nascimento dos dentes e como ajudá-lo?

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Muito choro, baba, agonia e até sintomas como febre e diarreia podem ser percebidos no período de nascimento dos dentes do bebê. Mas por que eles ocorrem? E como ajudar o pequeno a passar por isso? Será que há como amenizar esse sofrimento na dentição? A mestre em odontologia e especialista em odontopediatra Joseane Queiroz esclarece algumas dessas questões.

“Eles ainda estão na fase de amamentação quando os primeiros botões dentários começam a surgir, geralmente, a partir do sexto mês de vida”, comenta a especialista. Ela destaca que quando a dentição começa a romper na superfície da gengiva, muitos bebês sofrem com a irritação causada pela coceira no local, falta de apetite e, às vezes, até desinteresse pela amamentação.

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De acordo com a especialista, a gengiva fica inchada e esbranquiçada. O excesso de baba se dá porque, nessa fase, o bebê produz mais saliva que o normal. Muitos pequenos começam a puxar a orelha ou o cabelo e a levar as mãozinhas ao rosto com nervosismo, ou colocar os dedos e objetos na boca para tentar aliviar o incômodo. Nesse período, alguns deles também passam a acordar mais à noite e a ter dificuldades para dormir.

Nascimeno dos dentes

A odontopediatra aconselha que a primeira consulta aconteça logo no primeiro mês de vida do bebê

Joseane Queiroz recomenda massagem na gengiva com a dedeira de silicone ou com uma fraldinha para aliviar as dores durante o nascimento dos dentes. “O uso de mordedores geladinhos também é indicado, pois ajudam no alívio da dor e auxiliam no rompimento dos dentinhos”, orienta. A odontopediatra alerta, no entanto, que não se deve deixar o mordedor congelar, somente resfriar.

A especialista diz, ainda, que a partir do sexto mês de vida do bebê, momento em que devem ser incluídos alimentos mais sólidos a sua dieta, podem ser ofertadas frutas geladinhas, alimentos que coçam a gengiva, como a cenoura, e que também ajudam no alívio das dores. Ela sugere que o leite materno e o suco natural sejam congelados em formato de sorvetinho. “Os bebês amam”, comenta.

Ainda conforme a odontopediatra, se a dor for evidente, a mãe ou pai pode dar ao bebê a dose indicada de um analgésico infantil como o paracetamol, sempre seguindo as orientações prévias do odontopediatra ou mesmo do pediatra que faz o acompanhamento nas consultas periódicas do bebê.

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Outra orientação é não usar, durante o nascimento dos dentes, pomadas analgésicas, pois o bebê pode engolir, adormecer a garganta e engasgar com a própria saliva. Também não se deve administrar nenhum medicamento sem o conhecimento do pediatra ou odontopediatra do bebê.

Higiene nos dentes do bebê

Quando os primeiros dentes de leite (decíduo) aparecerem, é preciso mantê-los limpos. Joseane Queiroz orienta deixar a dedeira de lado e começar a usar escova de dentes infantil macia, bem como creme dental com uma concentração de flúor com 1.100 ppm (partes por milhão) de flúor, para proteção contra as cáries. A quantidade deve ter o tamanho de um grão de arroz; também é necessário passar o fio dental.

A especialista adverte que a mamãe ou o responsável pelo bebê procure um odontopediatra para receber orientações sobre a técnica de escovação correta.

Sobre a idade certa para o início dos cuidados com a dentição do bebê, Joseane Queiroz aconselha que a primeira consulta aconteça ainda durante a gravidez, pois é nesta fase que os dentinhos do bebê começaram a ser formados, quando ele ainda está na barriga da mamãe, ou logo no primeiro mês de vida. Assim, a mãe receberá orientações de como cuidar da higiene oral do bebê desde os primeiros dias.

A odontopediatra lembra que, em bebês precoces, o nascimento dos dentes pode ocorrer por volta dos três meses de vida, enquanto em bebês prematuros pode demorar um pouco mais. No entanto, antes de completar um aninho, o bebê já vai estar exibindo seus dentinhos.

Os últimos dentes (os segundos molares, no fundo da boca) costumam já ter nascido no segundo ano de vida. Aos três anos, a criança deve ter o conjunto completo: 20 dentes de leite, informa a especialista.

A boa notícia é que os sintomas mais críticos não são uma regra e também não duram em todo o período de dentição. “Varia de criança para criança, e não são todos os dentes que incomodam no nascimento, mas pode sim doer quando os últimos dentes nascerem, que são os molares”, informa a doutora.

bebê - dentição

Histórias de dentição

Daniele Dias dos Santos, 31, mãe do David Arthur, de 2 aninhos, conta que, desde os três meses, o bebê começou a sentir os sintomas da dentição, mas que os primeiros dentes só surgiram mesmo quando o bebê completou nove meses.

“Com três meses, ele começou a babar muito e levar a mão à boca. O pediatra disse que era o nascimento dos dentes”, relata a mãe, acrescentando, muitas vezes, que o pequeno sentia tanta dor durante a dentição que ficava “molinho e enjoado, como se estivesse doente”.

“Parecia que ele sentia dor de cabeça, porque a cabecinha ficava muito quente; ele se irritava com facilidade e não queria comer”, conta a mãezinha admitindo que, mesmo advertida sobre não passar pomada analgésica na gengiva do bebê, na tentativa de aliviar sua aflição, algumas vezes adotou o procedimento.

“O pediatra disse que o sofrimento era normal da idade, e era preciso ele sentir e passar por isso sem remédio, porque fazia parte do desenvolvimento, que eu devia dar somente frutas geladas e tiras de cenoura, além de mordedores mais durinhos para ajudar a coçar e rasgar a gengiva, mas nem sempre ele pegava. O o que ele gosta mesmo, ainda hoje, é picolé de fruta”, conta Daniele.

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A mamãe relata que o sofrimento do bebê era tanto com o nascimento dos dentes que, algumas vezes, não se sentia à vontade para tocar em sua gengiva, e quando se deu conta estavam nascendo quatro dentinhos de uma só vez. “Na última consulta dele, já com a odontopediatra, descobrimos que estão faltando nascer somente dois dentes para completar a arcada”, conta, revelando alívio.

Já Dândara Portela, 26, mãe da Nicolle Portela Souza, de seis meses, fala que a dentição de sua filha está bem tranquila. “Ela baba bastante, de ensopar a roupinha, também vive com as mãozinhas na boca, mas é só isso, não tem nenhum outro sintoma que possa ser notado”.

Segundo a mamãe, a criança não sente enjoo e se alimenta direitinho. O dente ainda não rompeu, mas a gengiva está bastante inchada devido à dentição. Ela foi orientada pelo pediatra a dar tirinhas geladas de maçã, pera e cenoura, somente para ajudar a romper a gengiva.

Conceição Melquíades
filhos&tal

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