Cuidado Infantil

Desenvolvimento infantil: o que observar em cada fase de crescimento da criança

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Diferente do que alguns pais pensam, o desenvolvimento infantil não se limita ao crescimento físico; mas engloba vários processos fisiológicos, sensoriais, biológicos, psicomotores, cognitivos e sociais. Por isso, para saber se vai tudo bem com seu filho ou filha, é importante saber o que observar em cada fase de crescimento da criança.

Do nascimento aos 5 ou 6 anos de idade, a criança desenvolve habilidades que serão fundamentais para toda sua vida, ou seja, que garantirão sua autossuficiência; como falar, andar, amar, perceber, interagir, dentre outras.

Nesse contexto, o vínculo afetivo é muito significativo, sendo o papel dos pais (ou responsáveis) fundamental para desenvolvimento infantil. “Tem de interagir com a criança: conversando, fazendo mímicas, brincando no chão; e diminuir o tempo de exposição do pequeno à TV e aos celulares”, recomenda a pediatra e neonatalogista Adeliane Bianchini, da Clínica Neovida.

crescimento da criança - Freepik

Coordenação motora
A especialista explica que o desenvolvimento motor (que é a capacidade de sincronizar os movimentos usando o cérebro e as partes do corpo) precisa ser avaliado através de cada faixa de idade. Os processos, porém, não ocorrem de forma linear, mas gradual e individualizada, ou seja, nem todas as crianças conseguem as mesmas habilidades no mesmo espaço de tempo.

Por exemplo:
Até os quatro meses: o bebê já deve conseguir agarrar algum brinquedo e até mesmo virar de barriga para baixo, ou, como as mães chamam, ‘bolar’.

Entre 5 e 7 meses: é esperado que a criança já possua a habilidade de ficar sentada sozinha;

Entre 7 e 10 meses: o natural é que, nessa fase, a criança já consiga engatinhar;

De 1 a 3 anos de idade: espera-se a criança já seja capaz de andar sozinha.

Com o passar do tempo, atividades básicas também aparecem. Com seis meses, pode pegar comida na mão e comer e tocar os pés. Aos 10 meses, já consegue segurar e bater objetos usando as duas mãos, e começa a ficar em pé com apoio. De 1 a 2 anos, a criança já arremessa e chuta bolas, mas ainda sem precisão, sobe escadas segurando no corrimão, tenta comer segurando uma colher, dentre outros.

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Adeliane Bianchini diz ainda que, durante cada fase de crescimento da criança, os pais podem identificar se algo está fora do normal observando a chamada ‘Tríade’, que envolve: movimentos estereotipados, atraso na fala e dificuldade na interação social. Tais pontos no desenvolvimento infantil podem necessitar de atenção e, caso não melhorem com o tempo, deve-se procurar orientação profissional.

A partir dos 6 anos de idade, a criança já deve ser capaz de se vestir sozinha e também tirar as roupas sem ajuda; já alterna os pés nas escadas, copia linhas e formas e pula sobre um pé só.

Fala e linguagem
Outro ponto que deve ser observado no desenvolvimento infantil é a questão da fala. A pediatra Adeliane Bianchini conta que em determinadas faixas de idade a criança já começa a apresentar essas evoluções:

Até 1 ano de idade: é esperado que as crianças já apresentem inícios de palavras, como ‘mama’, ‘papa’, ‘dá’, ‘tchau’;

Até 2 anos de idade: espera-se que a criança já tenha capacidade de juntar – pelo menos – duas palavras, como ‘dá água’. Nessa faixa etária, também é esperado que a criança já possua um vocabulário de mais de 50 palavras;

Entre 3 e 5 anos de idade: a fala da criança já deve estar completa, apresentando diálogos e frases mais complexas. Com 5 anos, já não deve acontecer a troca de fonemas e a criança já deve fazer narrações completas.

Cada criança é única
A psicóloga Nazaré Mussa chama atenção para a necessidade de entender que as fases do desenvolvimento infantil estão interligadas. “Apesar de existirem os marcos, cada criança é única e não existe limites de fases. Por este motivo, calma e paciência é de extrema importância”, diz, acrescentando que é normal uma criança ficar um pouco mais de tempo numa fase e em outra passar mais rápido.

Conforme Mussa, criança com 12 meses e/ou dois anos de idade ainda são muito dependentes, ainda não sabem escolher o que querem. A psicóloga ressalta que com três anos, a criança começa a ter vontade de criar em suas brincadeiras. É o momento em que inicia o aprendizado sobre dividir, repartir, compartilhar, porém ainda apresenta certa resistência em aceitar regras ou dividir brinquedos.

 

fase do desenvolvimento infantil - Freepik

“Aos três anos, o ‘faz de conta’ é fundamental e deixar a criança fantasiar é muito importante para o seu desenvolvimento. Elas adoram ouvir histórias e em suas brincadeiras conseguem repetir comportamentos vivenciados junto aos seus pais, cuidadores e suas experiências diárias”, explica.

Crianças com quatro anos já estão fazendo quase tudo que os adultos pedem delas, já com uma certa disciplina. Conforme a psicóloga, neste período, as crianças gostam de ajudar nos serviços de casa. Na escola, parques e festas de familiares já conseguem se relacionar socialmente com outras crianças, com facilidade.

Nesta fase, ainda conforme a especialista, elas também já são capazes de optar a respeito de suas roupas, com o que querem brincar, entre outras escolhas. Entretanto, ainda apresentam certa instabilidade emocional, e conseguem rir e chorar numa rapidez muito grande.

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“As crianças tentam impor suas vontades e com isso estão dispostas a aumentar seus territórios. Aos quatro anos, as crianças podem apresentar momentos de birra, tão comuns aos dois anos. Sua compreensão dos fatos e situações são limitadas, exigindo aos pais e cuidadores muita atenção e paciência para ensinarem os limites necessários”, orienta a profissional.

Curiosidade e desenvolvimento
As crianças, aos 4 anos, gostam muito de desenhar e pintar, pois estão despertando sua criatividade. “É preciso incentivar sua criatividade e nunca brigar porque sua criança fez um desenho da figura humana com três dedos, não esqueça que ela está em processo de aprendizado”, conta.

A criança com 5 anos já é capaz de ter amizade real e entender sobre sentimentos e suas reações, tanto positivas como negativas. A psicóloga Nazaré Mussa exemplifica se, com essa idade, você perguntar a uma criança o porquê de ela estar triste, ela é capaz de explicar a razão.

“São capazes de expressar suas opiniões com mais fundamentos. Nesta idade, as crianças possuem muita energia para o seu brincar, possuem coordenação motora para desenvolver agilidade com brinquedos, como bicicleta”, diz.

Victor Cruz
filhos&tal

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