Comportamento

Como ensinar os filhos a se protegerem do abuso sexual

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Todos os dias, ouvimos notícias sobre centenas de casos de crimes contra crianças e adolescentes no Brasil. Sobretudo pedofilia, aliciamento, exploração e abuso sexual. Para se ter ideia da situação, somente em Manaus, mais de 17 mil crianças e adolescentes foram vítimas desses crimes em 2017. Um levantamento mais amplo desse cenário assustador mostra ainda que, a cada uma hora, quatro crianças são violentadas no país. Mas o que fazer para proteger nossos filhos dessa triste realidade? Como evitar que também sejam vítimas dessa crueldade?

Abuso sexual - Pixabay 3

Em alguns casos, as crianças apresentam dificuldade de aprendizado, distúrbios alimentares, distúrbios afetivos, apatia, depressão e desinteresse por brincadeiras – foto: Pixabay

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Especialistas ouvidos por filhos&tal afirmam que hábitos simples, no cuidado diário com a criança, podem evitar novos casos de violências, sejam elas físicas, psicológicas ou sexuais. “Um deles é estar sempre alerta ao comportamento da criança”, afirma a plantonista da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) de Manaus, Laura Câmara.

Segundo ela, a melhor prevenção contra o abuso sexual se dá no âmbito familiar. Os pais precisam se fazer presentes na vida dos filhos. Saber quem são as amizades, o que fazem quando não estão por perto e controlar os meios de comunicação utilizados por eles, especialmente a internet.

“Hoje, as informações chegam ás crianças e adolescentes de uma forma muito fácil, e isso estimula a sexualidade precoce. A presença da família é de extrema importância. Qual é a maior referência da criança se não for o pai ou a mãe?”, questiona Laura.

Sintomas de violência

Normalmente, as crianças vítimas de abuso sexual apresentam uma alteração no comportamento. São mais agressivas, fechadas e reclusas. Também apresentam condutas sexuais inadequadas, passando a demostrar uma sexualidade precoce, que antes não era observada. Além disso, esses menores violentados passam a tocar o próprio corpo, às vezes, até mesmo em público, achando que a conduta é adequada e normal.

“Geralmente, quando o abusador pratica o ato com a criança, ele tenta passar para ela que aquela situação é natural, que ela deve aceitar. Também tem a questão do silêncio, de não verbalizarem logo a violência sofrida. Por isso é necessário estar alerta a qualquer mudança na rotina da criança”, orienta a delegada.

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Em alguns casos, as crianças apresentam dificuldade de aprendizado, distúrbios alimentares, distúrbios afetivos, apatia, depressão e desinteresse por brincadeiras. Outras vezes têm crises de choro e ficam mais sensíveis. Algumas apresentam, ainda, sentimento de culpa, vergonha, autodesvalorização e baixa autoestima.

Até mesmo durante o sono é possível perceber alterações. Crianças e adolescentes que sofrem abuso sexual costumam ter pesadelos e inquietação durante o descanso noturno. Em outros casos surgem reclamações psicossomáticas e dores de estomago, decorrentes do uso de drogas. Ultimamente, o que tem chamada mais a atenção dos especialistas são as formas agressivas que as vítimas usam para mutilar seus próprios corpos. Lâminas, cacos de vidros e facas são usados para fazerem cortes nos braços.

Laura Câmara acrescenta que ainda tem a questão da mudança no vocabulário. Na hora de manifestar revolta, elas utilizam palavrões de uma forma mais agressiva. De modo geral, essas são as consequências psicológicas que ajudam os pais identificarem o problema, mas também tem as consequências físicas. “Os pais mais atentos conseguem perceber lesões no corpo da criança, como hematomas no pescoço, nos seios ou mesmo na área da genitália. Claro que existem exceções, mas, a princípio, todas as crianças apresentam esses sintomas e essas mudanças”.

Já a delegada Valéria Martirena, do Distrito Federal, especializada em combate a crimes contra crianças e adolescentes, defende que o debate aberto com a sociedade é fundamental evitar esse tipo de crime, sobretudo quando se trada de pedofilia. Ela é autora do livro ‘Pedofilia – Fatos Baseados na Vida Real’, da Editora Movimento (2016).

Em entrevista à Agência Brasil, a delegada ressaltou que, na maioria dos casos de pedofilia, o criminoso é uma pessoa da confiança dos pais. “As pessoas têm a falsa impressão de que as crianças estão protegidas por estarem com conhecidos. Só que o que vemos é o oposto disso. A grande maioria dos casos é praticado por pessoas conhecidas e familiares”.

Acolhimento

A delegada Laura Câmara chama a atenção para o fato de que as crianças não possuem o mesmo aparato psicológico de um adulto para enfrentar certas situações. Por isso a importância do acolhimento familiar durante e depois do relato de abuso sexual. Isso ameniza o trauma.

abuso sexual - freepik

Pais nunca devem  ignorar qualquer tipo de relato de uma criança ou adolescente sobre comportamentos estranhos de outras pessoas, sejam elas da família ou não – foto: Freepik

A criança precisa ter certeza de que a revelação dela terá uma consequência positiva, ou seja, que o perigo será afastado dela. Esse é um passo importantíssimo para que a criança ou o adolescente tenha uma vida adulta saudável.

“Infelizmente, alguns autores são pessoas da mais absoluta confiança da criança, como pais biológicos, padrastos, avós, tios, irmãos e primos. A família precisa enfrentar esse dilema da forma mais correta, protegendo e afastando a criança do abusador, além de fazer a devida denuncia para que atitude médicas, psicológicas e judiciais sejam tomadas”, alerta.

Como ajudar os filhos a se protegerem do abuso sexual

1 – Orientá-los a não falarem com estranhos e não os deixarem na presença destes sem o devido acompanhamento;
2 – Alertar sobre o perigo de encontros marcados por redes sociais e, principalmente, sobre fornecer informações como endereço residencial e rotina da família;
3 – Explicar a diferença entre o toque de carinho e o toque de abuso sexual;
4 – Conversar sempre com os filhos, conhecê-los, transmitir confiança e monitorar suas atividades dentro e fora de casa;
5- Jamais ignorar qualquer tipo de relato de uma criança ou adolescente sobre comportamentos estranhos de outras pessoas, sejam elas da família ou não.

Gerson Freitas
filhos&tal

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