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Enxaqueca em crianças pode ser sinal de Síndrome Periódica da Infância

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Diferente do que se possa imaginar, a enxaqueca em crianças não é tão rara assim. Pesquisam apontam que até 10% do meninos e meninas em idade escolar sofram com o problema, que não é meramente uma dor de cabeça, embora este seja o sintoma mais dramático.

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Na fase adulta, a enxaqueca (migranea) está associada a uma série de outros sintomas, como tonturas, torcicolo, alterações visuais, alterações sensório-motoras e distúrbios gastrointestinais, como anorexia (perda do apetite), dor abdominal, náuseas e vômitos.

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O que poucas pessoas sabem é que estes sintomas podem ocorrer ainda na infância, com ou sem a presença de dor de cabeça. E quando isso acontece pode ser um sinal da presença de um dos vários tipos das ‘síndromes periódicas da infância’. A descrição desses quadros data de 1933, mas só recentemente houve a aceitação da existência das síndromes periódicas infantis como variantes da migranea em crianças.

Segundo a neuropediatra Andrea Weinmann, normalmente as síndromes periódicas da infância coexistem com a enxaqueca em crianças, na maioria dos casos há histórico familiar de enxaqueca e a maior parte das síndromes periódicas da infância evoluem para enxaqueca na vida adulta. “Uma outra característica é que são crianças completamente saudáveis fora da crise, mas que durante um episódio ficam bem prostradas e, muitas vezes, incapacitadas”, explica a doutora Andrea.

Tipos de Síndromes Periódicas da Infância
Vertigem Paroxística Benigna da Infância: esta é a principal causa de vertigem em crianças de 2 a 6 anos. Ocorre com ataques repentinos e curtos de vertigem e desequilíbrio. As crises são rápidas, durando segundos ou minutos. Normalmente, os episódios são acompanhados de sintomas como palidez, sudoreses, náuseas e vômitos, mas sem perda da consciência. Fora das crises, não há nenhum sintoma presente. Em geral, na adolescência as crises somem, dando lugar à enxaqueca. Portanto, o diagnóstico da vertigem paroxística benigna da infância é um fator de risco para a enxaqueca na vida adulta.

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Diferente do que se possa imaginar, a enxaqueca em crianças não é tão rara assim – fotos: Freepik

Torcicolo Paroxístico Benigno da Infância: a criança apresenta episódios recorrentes de rotação e inclinação anormal da cabeça (torcicolo). Aparece de forma repentina, podendo durar horas ou dias. Normalmente, os episódios são frequentes nos primeiros meses de vida em crianças saudáveis. Depois, há um intervalo maior entre as crises, que tendem a desaparecer entre 3 e 5 anos. Os episódios podem incluir sintomas como vômitos, palidez, irritabilidade, dor de cabeça, dificuldade de marcha. Em 70% dos casos, atinge as meninas.]

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Enxaqueca abdominal: Foi somente na década de 90 que houve o reconhecimento da enxaqueca abdominal como uma variante da enxaqueca tradicional. Trata-se de crises de dores no abdômen, acompanhadas de náuseas, vômitos, perda do apetite e palidez. Ela costuma durar dois dias, sendo mais prevalente em crianças entre 5 e 9 anos. Adultos também podem apresentar esse tipo de migranea. Em geral, há histórico familiar e costuma evoluir para enxaqueca na adolescência quando se manifesta na infância.

Síndrome dos vômitos cíclicos: É caracterizada por episódios recorrentes e intensos de vômitos, sem causa aparente. Fora da crise, o paciente não apresenta nenhum sintoma. Estima-se que esta síndrome afeta 2% das crianças em idade escolar, sendo que os sintomas costumam aparecer entre os 5 e os 10 anos de idade. A relação da síndrome dos vômitos cíclicos com a enxaqueca em crianças já foi estabelecida em alguns estudos. Sabe-se que em geral há histórico familiar de enxaqueca, sendo que as crianças com esta síndrome costumam apresentar migranea quando crescem. Chama a atenção a intensidade dos vômitos, que podem ocorrer várias vezes em uma hora, por exemplo. Podem durar de 24 a 48 horas e até uma semana para cessar. Há presença de outros sintomas, como dor no abdômen, dor de cabeça, sensibilidade à luz, tontura e diarreia.

Diagnóstico é um desafio
As síndromes periódicas da infância são de difícil diagnóstico, dada a ampla variedade de sintomas, que podem estar ligados a outros problemas, como erros inatos do metabolismo, epilepsia, distúrbios do sono, e outras síndromes genéticas.

Portanto, o médico neuropediatra precisa fazer o diagnóstico diferencial, descartando todas as outras possíveis causas. “É um diagnóstico por exclusão de outras doenças. Assim, só podemos fechar diagnóstico depois de ter feito uma anamnese cuidadosa, exame físico, exames de imagem e laboratoriais, além de ter descartado todas as causas possíveis”, diz a doutora Andrea.

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Prevenção e tratamento
O tratamento começa pela prevenção dos fatores desencadeantes, assim como é feito na enxaqueca tradicional. “Falta de sono, estresse, excesso de atividade física, ingestão de chocolate, queijos e de alimentos que contêm substâncias como nitritos e glutamato monossódico, são fatores que podem levar às crises”, explica a neuropediatra. Portanto, é preciso fazer mudanças no estilo de vida.

“Também usamos medicamentos para prevenir as crises e para tratá-las. Mas, cada síndrome demanda um tipo de tratamento, seja profilático ou para alívio das crises.
Em geral, as síndromes periódicas da infância costumam ter um bom prognóstico. Entretanto, grande parte das crianças que apresentam um dos tipos destas síndromes acaba virando um adulto que irá sofrer de enxaqueca ao longo da vida.

Com informações da assessoria

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