Cuidado Infantil

Leite materno: apenas 38% recebem exclusivamente o alimento padrão ouro dos bebês

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Mesmo com todas as campanhas nacionais e internacionais sobre os benefícios do leite materno, atualmente, menos da metade das crianças no planeta recebe o alimento de forma exclusiva até os seis meses, conforme orientam entidades como a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Dados divulgados neste ano pela grande mídia revelem que somente 38% são beneficiadas com esse cuidado, sendo que, no Brasil, o número é um pouco melhor, 41%, de acordo com o Ministério da Saúde, mas, ainda assim, um número aquém do desejável pelos organismos que trabalham a questão, visto que há uma meta global para se chegar a 50% até 2025.

E é para ajudar nesse objetivo que existem iniciativas como a ‘Semana Mundial de Aleitamento Materno’, realizada há 25 anos no período de 1 a 7 de agosto, a ‘Hora do Mamaço’, que ocorre no Brasil desde 2012, e agora também o recém-criado ‘Agosto Dourado’, instituído no dia 12 de abril de 2017 pela Lei Federal 13.435. O nome faz alusão ao considerado alimento padrão ouro dos bebês em qualidade e importância, que é o leite materno, e visa chamar a atenção da sociedade para iniciativas que promovam, cada vez mais, os benefícios que ele representa à saúde das crianças.

Em Manaus, assim como em outras capitais brasileiras, o mês foi de grande mobilização e ações de reflexão sobre o tema, entre instituições, famílias, grupos e empresas. “O objetivo é fazer com que a sociedade compreenda que promover e oferecer condições para a amamentação é responsabilidade de todos, não apenas um ato individual da mãe. Todos podem colaborar de uma forma ou de outra. Este ano os profissionais de saúde estarão reforçando o papel do pai no contexto da família e da amamentação”, afirma secretário municipal de Saúde, Marcelo Magaldi.

Condição
Já a pediatra e neonatologista Andrea Pereira ressalta que o fato de algumas mães não conseguirem amamentar os filhos exclusivamente até os seis meses se deve menos à falta de informação e mais à condição da mulher no século 21, que cada vez mais se desdobra entre cuidar dos filhos, os demais afazeres domésticos e o trabalho fora para ajudar no sustento da família.

“Antes havia o tabu sobre o valor nutricional do leite materno, mas hoje isso já foi superado e as mães têm bastante consciência do quanto esse alimento é rico e importante para os filhos. Ocorre que nem todas conseguem seguir com a alimentação exclusiva até o sexto mês devido a sua condição na sociedade, ao papel que desempenha na família, além da falta de estrutura e apoio em certos casos”, diz a profissional.

A médica cita, por exemplo, a falta de preparo das creches, que não têm estrutura para armazenar leite ordenhado. “A mãe, muitas vezes, até recebe orientação sobre essa possibilidade, mas se ela não conta com a estrutura adequada fica difícil. Em Manaus, só há uma creche, na rede privada, que oferece condições para receber e armazenar o alimento para os bebês”, lamenta.

Além de dotar as creches da rede pública do país de estrutura, outra forma de ajudar a aumentar as estatísticas sobre aleitamento materno, na opinião da médica, seria ampliar a licença maternidade de quatro para seis meses, o que hoje só ocorre em órgãos públicos e firmas que fazem parte do programa ‘Empresa Cidadã’.

Yndira Assayag
Redação Filhos&Tal

 

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