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Mães empreendedoras: os desafios de quem vive entre fraldas e negócios

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Empreender no Brasil não é fácil em situação alguma, mas quando se trata de empreendedorismo materno, os desafios, claro, são proporcionais ao ‘coração de mãe’, enoooormes, e todo mundo já imagina o porquê. Por isso, neste mês em que se comemora o Dia das Mães, a homenagem especial de filhos&tal vai para elas, as mães empreendedoras que se reinventam e se superam todos dos dias para vencer os desafios de viver entre fraldas, mamadeiras e negócios.
Uma delas é Thayana Oliveira, de 27 anos, nutricionista de formação, mas que, depois da gravidez, e também por convicções e gostos pessoais, acabou empreendendo na área de confecções e moda. Ela tem uma marca de peças infantis com temáticas da cultura pop, que já está fazendo sucesso até mesmo dentro de hamburgueria em Manaus. Isso mesmo, hamburgueria!

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A outra personagem dessa matéria especial sobre mães empreendedoras é a ex-cerimonialista Giselli Martínez, de 33 anos, que também mudou radicalmente de ramo após descobrir, na segunda gravidez, que ao invés de mais um filho para cuidar, teria três, já que estava esperando gêmeos. O negócio dela é aluguel de equipamentos infantis para utilidade por tempo relativamente pequeno, um nicho de necessidades maternas que tem grande potencial.
Sem romantismos sobre o ‘empreendedorismo materno ideal’, essas duas mamães nos falam – na real – como é começar um negócio do zero e fazê-lo se desenvolver enquanto também cuidam do desenvolvimento de suas crias, priorizando, claro, a proximidade com os filhos.

Senso de oportunidade

Mães empreendedoras 1

Como acontece com grande parte das mães empreendedoras, o começo da Nerd Baby, nome da marca de Thayana Oliveira, não foi exatamente planejado por ela, com uma meta definida ou um público bem delimitado, mas foi acontecendo e se moldando às oportunidades e necessidades do segmento que ela se propôs explorar.
“Mesmo antes da gravidez, eu e meu noivo já pensávamos em ter algum negócio juntos, como uma lojinha, mas foi só quando engravidamos que passamos a considerar algo relacionado à maternidade”, conta, informando que chegou a tentar um site sobre avaliação das maternidades, que não foi para frente.
Quando a bebê nasceu, porém, os pais – que são fãs da cultura pop – tinham bastante dificuldades em encontrar para ela peças com estampas ligadas ao rock, quadrinhos, games e outros temas mais ‘nerds’, já que não queriam seguir o padrão “menina usa rosa porque é de menina”. Mas só havia uma loja, num shopping de Manaus, com algumas opções de bodies, que além de preço muito elevado, eram feitos de tecidos pouco adequados a um bebê. E foi aí que começaram a perceber uma oportunidade de negócio.

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“Usar roupinha com estampa do Batman, Homem de Ferro ou de uma banda de rock não significa que a minha filha não possa ser menina ou feminina, e há muitos pais que também pensam assim. Foi quando deu o ‘estalo’ e a gente resolveu arriscar, tendo em vista que, por aqui, é bem difícil encontrar essas opções para bebês”.
Mas entre perceber a oportunidade e concretizá-la, Tayana e o noivo, que é analista de sistemas, ainda levaram algum tempo pesquisando como seria operacionalizar e implementar o negocio propriamente. “Além de resolver essa questão do tecido ideal, já que moramos numa região quente, também tivemos de encontrar uma costureira que a gente gostasse do corte e que captasse o que a gente realmente queria. O mesmo se deu com relação a questão das estampas, que se são feitas em serigrafia”, relata.
Mães empreendedoras 2
Resolvidas as primeiras questões, o casal foi à luta e começou a botar a ideia em prática, primeiro pela Internet e, posteriormente, participando de alguns eventos e se envolvendo com pessoas do meio, para desenvolver o negócio. Atualmente, além da venda direta, por encomendas, eles já estão com três pontos de vendas, sendo um deles dentro da Tetris Game Burger. “É uma hamburgueria temática, que tem tudo a ver com nossos produtos, então vimos um potencial interessante lá e o resultado tem nos surpreendido”, fala, frisando que algumas peças da marca já contam com estampas exclusivas, feitas por designers locais.
“A gente também atende demandas personalizadas, sobretudo para pessoas que desejam presentear em chás de bebês ou aniversários. Mas os nossos produtos são todos a pronta entrega e a gente distribui por meio dos pontos de venda”.
Com pouco mais de dois anos, a Nerd Baby não rende ainda a Tayana o mesmo que ela ganhava quando trabalhava empregada, como nutricionista, mas, além da experiência no universo das mães empreendedoras, ela conta que o lado mais positivo é o de poder acompanhar o crescimento da sua filha, Laura Mariana, que, aliás, é a ‘top’ da marca, já que é quem exibe no Instagram da Nerd Baby os modelitos criados pelos pais. “Não é fácil, claro, porque ela não fica quieta para tirar fotos (risos), mas é muito mais divertido por ela fazer parte dessa rotina, inclusive me acompanhando em alguns eventos de divulgação e venda”.

Praticidade por menor custo
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Quando estamos esperando um filho, montar o enxoval e comprar tudo novinho é com certeza um grande prazer, especialmente para marinheiros de primeira viagem, mas, depois de navegar neste mar algumas vezes, acabamos percebendo que, nem sempre, comprar é o melhor negócio. Isso porque alguns produtos são usados por tão pouco tempo que o custo não vale o benefício, já que vão ‘encalhar’ em algum cômodo da casa e amarelar ou mofar após pouco tempo de uso.
E foi a partir dessa percepção que Giselli Martínez, ex-cerimonialista de eventos sociais, começou a desenvolver a Baby Things, serviço de aluguel de produtos para pouco tempo de uso, como berços, carrinhos, cadeirinhas de carro, banheira inflável e, principalmente, o bassinet, espécie de bercinho portátil que tem bastante utilidade para quem não dispõe de muito espaço.
Mãe de três meninos, ela conta que a ideia começou a tomar forma após o nascimento de seus filhos gêmeos, Bruno e Artur, de 2 anos, mas em consequência das experiências acumuladas desde o nascimento do Pedro, o mais velho, de 4 anos. “Meu marido e eu sentíamos necessidades de ter algumas coisas, mas que não valia a pena comprar, fosse pelo alto preço ou por questões de custo-benefício mesmo, devido a usabilidade de curto prazo”, conta.
“A gente morava em apartamento pequeno e não tinha espaço para ficar guardando coisas que a criança ia usar por tão pouco tempo, então, mesmo sendo necessárias, acabavam sendo inviáveis por não justificarem o investimento”.
Giselli fala que sempre carregou muita coisa nas várias viagens que fez com o esposo e o filho Pedro, tanto por questões de segurança como pela deficiência de alguns lugares, que não tinham estruturas como berço, carrinho ou bebê conforto. E quando os gêmeos vieram, a família acumulou muito mais desses produtos em casa.
Como os amigos sabiam, começaram a pedir emprestado do casal para algumas ocasiões específicas, como passeios em sítios e viagens também. E foi percebendo que outros pais tinham necessidades parecidas com as suas que eles tiveram a ideia de alugar os produtos que estavam parados sem uso. “Se tantos pais precisam, porque não alugar os produtos e fazer disso um negócio?”, pensou Giselli.
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A partir daí começou a testar o sistema e hoje, um ano e meio depois, já tem até um depósito alugado para guardar os produtos. “Meu trabalho como cerimonialista demandava muito tempo e dedicação, já que lidava com eventos únicos, de muitas expectativas, mas, com a chegada do Pedro, eu comecei a entrar em conflito, pois também queria me dedicar a ele. Quando vieram os gêmeos, então, a minha cobrança foi muito mais alta e resolvi que era hora de partir para um novo empreendimento, algo que eu pudesse fazer bem, mas em conciliação ao cuidado com meus filhos”, diz Giselli.
“Além disso, é um ambiente muito familiar para mim, visto que lido com pessoas que estão passando por momentos pelos quais eu já passei e isso facilita muito os encontros e contatos com os clientes; rola uma empatia e um reconhecimento muito grande pela situação. Isso tem me realizando tanto quanto profissional e como mãe”.
Giselli ressalta que ainda está desbravando o universo das mães empreendedoras, em especial o seu nicho, já que em Manaus não existe e, mesmo fora, ainda são poucas as iniciativas no segmento, mas que está bastante confiante e satisfeita com os resultados. “Estou caminhando com os pés bem no chão e em velocidade compatível à de uma mãe com três filhos pequenos, mas acreditando bastante”.
A empresária conta que a divulgação dos produtos, e das formas de utilização, é feita por meio das redes sociais Facebook e Instagram, além do boca a boca, onde um cliente indica para o outro.

Yndira Assayag
filhos&tal

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