Bem-estar

ALLtism – Grupo de Manaus cria plataforma para ajudar no tratamento de crianças autistas A nova ferramenta chegará em breve ao mercado, tanto em versão web quanto aplicativo

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A complexidade do Transtorno do Espectro Autista (TEA), ou simplesmente Autismo, entre outras dificuldades para pais de crianças autistas e profissionais que atuam na área, motivou um grupo de programadores e designers de Manaus a desenvolverem uma plataforma para melhorar a integração e interatividade entre esses atores. Trata-se do ALLtism, que chegará em breve ao mercado, tanto em versão web quanto aplicativo.

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Conforme Juliane Silva, formada em Engenharia de Computação pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), tudo começou quando ela participou de um workshop realizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em que uma palestrante falou de três temas que estavam, e ainda estão, em evidência na área da saúde nos últimos anos, sendo um deles o Autismo.

“O tema me chamou atenção e, posteriormente, do meu grupo, por reunir inúmeras problemáticas que poderíamos abordar e contribuir com a nossa expertise em tecnologia.

Sem contar que constatamos que são milhares os casos de pessoas dentro do Espectro Autista no mundo. No Brasil, por exemplo, a cada 100 pessoas, uma está dentro do espectro. Com isso, percebemos que tínhamos um público ao qual poderíamos nos dedicar”, explica a programadora.

ALLtism

O grupo de criação do ALLtism é formado por programadores e designers – fotos: divulgação

Ela ressalta que seu time conta com mais três programadores formados pela UEA, sendo dois em Engenharia de Computação e um em Tecnologia em Processamento de Dados, além de dois designers, formados pela Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (Fucapi), também de Manaus. “Todos nós participamos do Ocean Lab, no Samsung Ocean Center, que tem uma parceria com a UEA”, destaca.

Ainda segundo descreve Juliane Silva, o ALLtism é uma plataforma que proporciona a comunicação e interação entre pais e profissionais de saúde envolvidos no tratamento de crianças autistas, como fonoaudiólogos, fisioterapeutas, psicólogos e terapeutas ocupacionais, entre outros.

Na área da plataforma reservada aos profissionais, estes irão cadastrar as atividades que os pais devem realizar com os filhos, voltadas para exercitar a fala, coordenação motora e controle das emoções. Já na área reservada aos pais de crianças autistas, estes visualizarão as atividades indicadas pelos profissionais e, após execução, registrarão o desempenho e o progresso da criança, por meio de mensagem escrita, áudio ou vídeo. Tudo de forma privativa e segura.

Mesmo assim, frisa Juliane, “a plataforma visa solucionar a melhoria na comunicação e acompanhamento de crianças autistas por seus profissionais e não substituir consultas presenciais de rotina”.

O ALLtism oferecerá um histórico das atividades realizadas. Logo, profissionais e pais poderão visualizar claramente o desempenho e a evolução da criança, fazendo o ‘antes e o depois’. Outra vantagem é que a ferramenta proporcionará uma comunicação interprofissional.

“Muitas vezes, os profissionais envolvidos no tratamento das crianças autistas são de clínicas/espaços diferentes, o que dificulta a visão do tratamento como um todo. Através da nossa plataforma, todos os profissionais envolvidos terão um contato entre si, já que poderão se comunicar por um chat e ainda visualizar o que cada um está desenvolvendo/exercitando em relação à criança”, diz a mentora do projeto, Juliane Silva.

Contribuição

Definido no Manual de Saúde Mental (DSM-5) como condição geral para um grupo de complexas desordens no desenvolvimento do cérebro, o Autismo causa déficits persistentes na comunicação e interação social de uma criança em múltiplos contextos.

Conforme a psicóloga cognitivo comportamental Tatiana Macedo, o tratamento do autismo é individual e cada criança é avaliada de acordo com suas necessidades e habilidades a serem desenvolvidas.

Então, “entre as maiores dificuldades encontradas hoje está o alinhamento das necessidades da criança à dinâmica familiar, pois o tratamento não se limita às terapias em clínica, mas a generalização das intervenções”, diz a profissional que trabalha há oito anos exclusivamente com crianças que apresentam atraso no neurodesenvolvimento.

“Sem dúvida, para nossa realidade, o ALLtism será a ferramenta capaz de trazer a efetividade que mencionei acima, ajudando os pais e a equipe na condução e manejo dos programas de intervenção, tornando o tratamento mais eficaz, já que os profissionais poderão encaminhar programas de atividades aos pais através de vídeos e arquivos, e estes exercitarem, em outros ambientes, o que é ensinado nas terapias. E no final, a maior beneficiada em todos os aspectos será a criança”.

Fase

O ALLtism está sendo desenvolvida pelo Ocean Lab, programa que conta com três fases:  ideação, prototipação e Mínimo Produto Viável (MVP). Atualmente, a plataforma está na segunda fase, que segue até o fim de fevereiro.

“Nessa etapa, desenvolveremos um protótipo funcional do ALLtism, com as suas principais funcionalidades, vamos testá-lo com profissionais e pais de crianças autistas, para colher feedbacks e melhorar ainda mais. Na fase três (que vai de março a maio), desenvolveremos de fato um MVP, que irá para o mercado e estará disponível para profissionais e pais usarem”, finaliza Juliane Silva, avaliando que o MVP do ALLtism estará pronto no final do primeiro semestre de 2018.

Yndira Assayag

filhos&tal

+tratamento de crianças autistas; +crianças autistas; +ALLtism

2 Comments

  1. Fraima Sales

    9 de março de 2018 at 20:19

    Parabéns pela iniciativa. Trabalho muito interessante e importante para pais, como eu. Me coloco a disposição para ajudar e participar dos testes.

  2. Pingback: Clínica-escola gratuita para autistas: sonho ou realidade?

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