Educação

Como a mesada pode contribuir com a educação financeira da criança

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Tão importante quanto outros ensinamentos, a educação financeira deve ser iniciada ainda na infância, para que a criança aprenda, desde cedo, a administrar os seus gastos em função dos recursos que dispõe. Utilizada por milhares de famílias, a famosa mesada, quando inserida de uma forma coerente no cotidiano da criança ou adolescente, pode contribuir, e muito, para o equilíbrio financeiro na vida adulta.

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O economista Osíris Messias Araújo afirma que toda criança deve aprender a ter uma percepção da realidade, sobretudo em relação a limites. Esse trabalho deve ser feito especialmente pelos pais, de forma clara e objetiva.

Osíris comenta que, primeiramente, é necessário que haja um planejamento dos gastos da criança, para que se estabeleça um valor fixo da mesada, que deve ser rigorosamente disponibilizado mensalmente para o menor. A renda da família e as possibilidades financeiras dos pais é quem irão determinar o valor a ser repassado.

O economista destaca, ainda, que não se pode dar educação financeira a um filho com exemplos contrários ao que se prega. Portanto, os pais jamais podem oferecer à criança ou adolescente aquilo que não podem efetivamente dar, ou seja, algo que esteja além das suas possibilidades. Afinal, os pais são espelhos dos filhos. Portanto, o trabalho do equilíbrio financeiro deve partir dos mais velhos. Atrasar, elevar ou deixar de dar a mesada por alguns meses, nem pensar.

 

Mesada-Freepik

Segundo o especialista em economia, a mesada tem a função de delimitar direitos e deveres. Ao iniciar o processo, é preciso que haja uma interação entre pai e filho, uma conversa aberta e franca do que pode e o que não pode ocorrer durante o período em que a criança terá o benefício. Sobre a idade certa para receber mesada, Osíris orienta que o mais indicado é dar o dinheiro a partir dos 6 anos idade e, no máximo, até os 17 anos.

“O maior erro dos pais, no meu ponto de vista, é em relação a impor limites. A criança precisa aprender que tudo na vida tem um preço, que toda ação tem uma reação. Em qualquer área da vida, o limite é necessário. Não se pode facilitar tudo para os filhos. Quando isso acontece, os reflexos na vida adulta são desastrosos”, alerta o economista.

Ainda de acordo com Osíris, manter-se firme nas decisões e evitar usar o lado emocional é fundamental para se obter um bom resultado na educação financeira dos menores. Nunca, em hipótese alguma, ceder às ‘chantagens’ dos filhos. Uma vez dado o valor integral, não se deve complementar a mesada, caso o dinheiro não dure os 30 dias. A criança ou o adolescente deve saber que não se pode gastar mais do que se ganha. Nesta situação, não cabe o ‘adiantamento de mesada’, por menor que seja a quantia.

É valido também deixar que os filhos aprendam com os próprios erros. O arrependimento por terem gasto o dinheiro com coisas supérfluas os ensina a repensarem e recalcularem a importância de cada gasto.

“Para uma vida financeira bem-sucedida, é preciso que se tenha, antes de tudo, uma base sólida de ensinamento. É preciso transmitir para a criança a noção de responsabilidade. Mostrar as despesas gerais dela e apontar com o quê ela pode gastar a mesada. Se for necessário, o menor que gastou todo seu dinheiro antes do fim do mês deve ser privado de fazer algumas coisas para saber a importância do sistema organizacional financeiro”, ressalta o especialista.

Premiações
Para o economista, alguns métodos utilizados por pais, como o uso da tabelinha de atividades e tarefas a serem cumpridas para que se ganhe o valor total da mesada no fim do mês gera resultados bastante positivos. Osíris considera essa forma de ‘pagamento’ uma brincadeira sadia. Além disso, a tabelinha ajuda a criança a ter disciplina em muitos outros setores da vida, além do financeiro.

“Considero esse método de mesada como uma premiação justa para os filhos que tiveram um bom desempenho durante o mês. Não é tão rigoroso que possa comprometer a educação e a formação da criança. É apenas uma forma de educar brincando”, comenta.

Na prática
Reforçando a educação e a disciplina em casa, a supervisora hospitalar Thayana Queiroz, 30, começou a usar a ‘tabelinha’ quando sua filha ainda tinha apenas 3 anos. Hoje, com 5, a filha já entende que para ter alguns objetos que gosta é preciso seguir à risca a lista de obrigações, caso contrário, a mesada não vem na sua totalidade no fim do mês, impossibilitando suas novas aquisições.

Thayana conta que, no início, houve um pouco de dificuldades de implantar as regras, porém, com o tempo, a filha Thayane se adaptou e, hoje, dificilmente deixa de cumprir com algumas obrigações. O valor total dado a filha quando não há desconto por algo que não tenha feito é de R$ 50.

“Ela já entende que precisa da mesada para fazer algumas coisas. Apesar de ter implantado esse método na nossa vida há mais de um ano, ainda estamos em ajustes. Sou firme no valor, quando tenho que descontar, eu desconto. No entanto, quando ela me ajuda, dou um dinheiro a mais, sempre explicando o porquê de ela está ganhandp aquele valor a mais. Ela, com certeza, levará esse ensinamento por toda a vida”, afirma confiante a mamãe Thayana.

Na escola
A partir do próximo ano, todas as escolas do Brasil, sejam particulares ou públicas, contarão com a interdisciplina ‘educação financeira’. A proposta foi incluída na nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O Banco Central também participou da elaboração e do aprimoramento da nova proposta pedagógica.

A educação financeira será obrigatória e deverá ser abordada como um tema transversal, principalmente em matemática e ciências da natureza, para crianças do ensino fundamental. Para os envolvidos no projeto que transformou o assunto em disciplina, os alunos serão, a partir de 2019, agentes multiplicadores deste aprendizado, ao mesmo tempo em que serão preparados para o futuro.

Como regra geral, na língua portuguesa vai ter leitura e interpretação de boletos, faturas e carnês. A área que abordará de maneira mais tradicional a educação financeira será a matemática, tratando diretamente sobre juros e financiamentos.

Gerson Freitas
filhos&tal

3 Comments

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