Bem-estar

O que é hipogalactia materna e por que afeta algumas mães

 | 

A hipogalactia materna é a falta ou insuficiente produção do leite nas mamas de algumas mães, podendo comprometer a alimentação do bebê desde o nascimento ou dias após sua chegada.

O problema de ‘não ter leite’ pode ser causando por motivos diversos, como hormonais, nutricionais e até glandulares, mas, na maioria das vezes, ocorre por conta de dificuldade na ‘pega’ do peito, ou seja, quando o recém-nascido não consegue sugar o alimento de forma adequada.

Leia também: Banho de sol no bebê é mesmo necessário? Especialistas esclarecem

Especialistas afirmam que essa dificuldade na pega acaba diminuindo o estímulo natural de produção do leite materno, e evita que os hormônios que fabricam e liberam o leite trabalhem no corpo da mulher de forma eficaz. Além disso, problemas como estresse e ansiedade também podem diminuir a produção de leite e resultar na hipogalactia materna.

hipogalactia materna Freepik 1

A neonatologista Rossiclei de Souza Pinheiro, do departamento científico de aleitamento materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), explica que o hormônio que fabrica o leite materno é a prolactina, e o que libera é chamado de ocitocina. “Quando o bebê usa chupeta ou mama na mamadeira, ele pega pouco o peito. E isso faz com que haja baixa produção no leite. Outra coisa que afeta essa produção é a ansiedade, quando a mãe está muito preocupada, sentindo alguma dor ou outra coisa que a incomode”, diz.

Rossiclei Pinheiro, que também é professora de saúde da criança na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), aponta que esse problema raramente será desenvolvido por conta do organismo da mãe, visto que fatores externos, como estresse e a próprio dificuldade na pega, são os principais causadores da hipogalactia materna.

Ela explica que, naturalmente, a própria condição de engravidar e parir, libera no corpo da mulher os hormônios que produzem o leite. Porém, é indispensável que essa produção seja estimulada, por meio da própria amamentação do bebê no peito.

“Quando a mãe tem pouco leite no peito, a gente pede para ela colocar o bebê para mamar mais vezes, com mais frequência, porque isso estimula a produção do leite. Tudo isso é uma resposta hormonal, não é uma coisa que depende da mãe”, afirma.

Teoricamente, o bebê já nasce sabendo onde e como mamar, mas, às vezes, ele não consegue fazer isso adequadamente e precisa de ajuda. A neonatologista conta que um dos fatores que levam a isso é a mãe não conseguir colocar o bebê na posição correta. “Quando ela não consegue, precisa que um profissional de saúde a ajude a posturar esse bebê. Aí ele fica em uma posição boa no peito, uma posição que seja confortável pra ele e pra mãe dele”, orienta.

As mães precisam ficar atentas para ajudar o bebê a abocanhar toda a aureola do peito, que é a região de cor marrom, e fazer com que ele sugue sem soltar, de forma coordenada. A falta de apoio da mãe nesses momentos pode interferir na pega, que é principal causa da hipogalactia materna.

Fatores físicos e mentais podem interferir

No caso de mães que passaram por cirurgias redutoras de mamas, a hipogalactia materna também pode acontecer. Algumas vezes, a técnica usada pelo cirurgião pode prejudicar a saída do leite do peito. “Aquelas mães que fazem mamoplastia podem ter dificuldades na hora de amamentar, mas, hoje, existem técnicas adequadas, que não interfere muito nessa saída do leite”, explica Rossiclei Pinheiro.

hipogalactia materna - bebê Freepik

Em outras situações, os médicos podem prescrever medicamentos para acalmar a mãe, para poder deixar o leite do peito sair. Entretanto, conforme a neonatologista, esse estímulo acontece não por causa do remédio, mas sim porque diminui a ansiedade da mulher.

A enfermeira obstetra Ivone Amazonas, coordenadora da saúde da criança e do adolescente da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), em Manaus, acrescenta que o baixo desenvolvimento da mama também pode causar a hipogalactia materna.

Ela desmistifica a dor sentida pela mãe, algumas vezes, na hora de amamentar, informando que pode ser causada por uma incorreta sucção do bebê. “O que leva a mãe a sentir dor na hora de amamentar é o bebê estar fazendo uma pega incorreta”, afirma, ressaltando que na ‘pega correta’, o bebê abocanha a parte da aureola do peito e não somente o mamilo.

“O alimento está armazenado na parte mais escura da mama, por isso é preciso abocanhar a aureola e não apenas o mamilo”, explica, afirmando que o problema pode ser causado por conta de uma posição incorreta na hora da amamentação.

O que não deve ser feito

Em casos de hipogalactia materna, um dos cuidados para não agravar o problema é ode não oferecer fórmula em mamadeira para o bebê. “Oferecendo a mamadeira, o bebê vai confundir o bico do peito com o bico da mamadeira. Então, vai mamar menos no peito e, com isso, pode não produzir mais leite”, explica a neonatologista Rossiclei Pinheiro.

Além disso, ela ressalta que as mães devem evitar a medicalização. Segundo a médica, antigamente, remédios eram usados com o intuito de estimular a produção de leite materno, mas eles podem interferir na saúde da mãe. “A gente tem que evitar essa prática. O mais importante é colocar esse bebê para mamar com frequência no peito, para poder estimular a produção”, conta.

Como ajudar o bebê

Especialistas explicam que nem sempre, quando a mãe deixa de ver o leite saindo, quer dizer que não tem produção de leite. Os profissionais avaliam se o bebê está sendo bem alimentado quando ele está ganhando peso, quando está bem hidratado, fazendo xixi e sujando a frauda. Mas, para as mães com hipogalactia materna, há estratégias para resolver o problema.

Uma das estratégias do Ministério da Saúde (MS), por meio do Núcleo da Saúde da Criança, é a iniciativa do Hospital Amigo da Criança e da Mulher. A enfermeira obstetra Ivone Amazonas, que atua no programa, conta que essa estratégica trabalha o manejo da amamentação junto às mães, dentro das maternidades públicas. “O bebê, quando nasce, tem critérios. Ele precisa estar em contato pele a pele com a mãe, ainda na sala de parto ou no centro cirúrgico, para que haja a estimulação precoce da descida do leite”.

Ivone relata que, muitas mães não têm esse contato imediato com o filho, essa estimulação, e algumas são até separadas deles. Essa separação diminui a produção de leite e contribui para a não descida do leite, ou seja, na hipogalactia materna.

“O contato pele a pele é uma prevenção, justamente para agilizar essa descida precoce”, argumenta a enfermeira, explicando que esse processo evita que a mulher tenha dificuldade de produção ou até falta do leite materno. O acompanhamento por meio da iniciativa do MS segue até o alojamento conjunto, onde as mães são orientadas a coordenar a pega correta do bebê.

A enfermeira reforça que o aleitamento materno, conforme recomendação do MS, deve ser exclusivo até os primeiros seis meses de vida, e complementar até os dois anos.

Victor Cruz
filhos&tal

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *