Bem-estar

Parto humanizado exige acompanhamento adequado, dizem especialistas

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Os conceitos sobre parto humanizado ainda não estão bem claros para muitas pessoas, sendo, às vezes, confundido com os chamados partos ‘natureba’ ou alternativos. Isso, porém, não condiz com a realidade, segundo especialistas participantes do 5º Simpósio Internacional de Assistência ao Parto (Siaparto), ocorrido em São Paulo, no período de 4 a 9 de setembro, com o tema Paciência Ativa e Spinning Babies.

No evento, ressaltou-se a importância de acompanhamento dos processos fisiológicos normais por profissionais da área de saúde, sem intervenções desnecessárias, mas também sem deixar de reconhecer sinais para ajudar mãe e bebê durante o processo do parto e nascimento, denominada de Paciência Ativa.

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Criada pela parteira americana Gail Tully, o spinning babies (girar bebês), por exemplo, é o nome de uma técnica que propõe sequências de movimentos para que durante o trabalho de parto a mulher consiga encontrar posições que ajudem o bebê a se encaixar corretamente na pelve, facilitando o parto e reduzindo a dor.

mulher

“A ideia do parto humanizado é a de que dentro de uma determinada instituição todas as mulheres sejam tratadas com respeito, todas tenham direito à privacidade, que não sejam vítimas de nenhum tipo de abuso, que não sejam usadas como cobaias para estudos ou aprendizagem de alunos em hospital escola, com uso de forceps para treinar. O parto humanizado idealmente implica em uma mulher bem informada com direito a escolha, analgesia do jeito que ela desejar”, disse a obstetriz e idealizadora do Siaparto, Ana Cristina Duarte.

Segundo a médica, embora haja a ideia generalizada de que parto humanizado é um parto alternativo, isso não é verdade. Ela explicou que essa modalidade de parto é baseada em evidências e traz as melhores práticas e o melhor uso da tecnologia, às vezes envolvendo analgesia de parto, uso de medicamentos, intervenções, mas sempre de forma racional e não para todas as mulheres que escolhem o parto humanizado.

Ana Cristina ressaltou que a ideia de que é necessário ter o parto no hospital é cultural e atinge o mundo todo, “mas quando estudamos os países em que o parto em casa faz parte do sistema de saúde, os números são muito positivos”.

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“Na prática, a ideia de que o parto em casa não é seguro, não é real. O que traz segurança é ter um sistema obstétrico integrado, com um ótimo pré-natal, uma ótima assistência onde quer que ela esteja e a possibilidade de um atendimento emergencial cirúrgico de rápido acesso”.

parto - foto Freepik

A obstetriz destacou que a recomendação para que a mulher opte para o parto humanizado é o entendimento de que essa mulher tenha uma gravidez que não seja de risco e que ela não precisará de nada no parto, a não ser vigilância de seus sinais vitais. Segundo Ana Cristina, deve-se levar em conta que eventualmente algumas mulheres podem precisar de ajuda emergencial, por isso o conceito é usar esse tipo de intervenção racionalmente.

Cesárias

O Brasil lidera partos cesárias do mundo, com 55% dos nascimentos via cesariana no Sistema Único de Saúde (SUS) e 84% na saúde privada, enquanto a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece apenas 15% dos nascimentos por via cirúrgica.

Uma realidade que pode mudar, principalmente, a partir do comprometimento de gestores hospitalares. É o que está ocorrendo na maternidade da Santa Casa de São Carlos, que iniciou, em abril de 2016, um trabalho de assistência às gestantes que vem aumentando gradativamente o número de mães que optam pelo parto normal.

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“Mudamos o trabalho centrado num parto médico, em sistema de plantão, para um trabalho multiprofissional, com médicos e enfermeiras obstetrícias cuidando das pacientes em trabalho de parto, ou seja, basicamente, reorganizamos o processo de trabalho”, conta o coordenador da maternidade, médico Humberto Hirakawa, também presente no Siaparto.

Com isso, a Santa Casa de São Carlos conseguiu reduzir de 65% para 30% a sua taxa de cesárias, além de alcançar também significativa melhora no índice de satisfação das parturientes e de mortalidade e morbidade perinatal e materna.

Com informações da Agência Brasil

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