Gravidez

Aborto espontâneo: a dor de perder um bebê

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Descobrir que um herdeiro está por vir é uma das melhores notícias que um casal pode receber. Planejada ou não, a gravidez causa inúmeras emoções e gera grandes expectativas, principalmente quando é a primeira. Porém, até o nono mês, coisas inesperadas podem acontecer, inclusive o aborto espontâneo dessa criança, tornando o que antes era alegria em tristeza.A microempresária Érica Patrícia Amaral, 27, vivenciou essa experiência. Para ela e o esposo, Marcílio Amaral, 32, com quem está casada há mais de oito anos, foi o momento mais difícil já enfrentado desde que estão juntos. A perda do bebê aconteceu nas primeiras semanas de junho de 2016. Ela estava iniciando o terceiro mês de gestação quando recebeu a notícia.

“Foi horrível. Descobrimos na primeira ultrassom que o meu marido acompanhou. Acordamos felizes e ansiosos, mas quando o médico iniciou o procedimento logo disse: ‘o feto não se desenvolveu’. As palavras dele foram como uma facada no meu coração. Juntos, eu e meu esposo não conseguimos conter as lagrimas e saímos da clínica completamente frustrados. Era o nosso primeiro filho”, lamenta a empresária.

Erica relata que a gravidez não foi planejada, mas que se tornou seu maior sonho assim que descobriu. “Nossa! Foi maravilhoso receber a notícia. A família inteira ficou feliz com a novidade. Fizemos tantos planos…, mas, infelizmente, perdi o bebê. A sensação hoje é de estarmos incompletos. Agora, mas do que nunca, só vamos ficar satisfeitos quando eu conseguir engravidar outra vez”, diz.

Marcílio Amaral, que esperava ansioso pelo filho ou filha, diz que a sensação é de ter dado um “Ctrl+Z”’ na história. “A gente ainda não tinha se acostumado com a ideia, mas a notícia veio como um presente. Eu vibrei muito quando a minha esposa me contou sobre a gravidez. Já tínhamos até escolhido os nomes. Se fosse menino seria Junior Fernando, e Clarice se fosse menina. Mas já estamos conformados e vamos tentar de novo”, afirma.

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Reações
A história de Érica e Marcílio não é incomum, acontece com muitos e muitos casais, pois até o terceiro mês de gravidez, o risco de aborto vai de 40% a 65%, segundo os especialistas da área, e a perda pode estar relacionada a inúmeros fatores, desde genéticos a hormonais. Mas, independentemente das causas, as reações da mulher após a perda são bem parecidas e envolvem desde a sensação de culpa até a de incapacidade para gerar um ser, o que às vezes é incompreendido por alguns membros da família e a sociedade em geral.

Psicólogos, no entanto, dizem que chorar, ficar triste, é normal e orientam que é importante para o casal vivenciar de fato esse luto, de forma que possam processar e superar a perda. Para isso, porém, precisam contar tanto com o apoio um do outro como dos familiares e amigos. Em entrevista concedida ao site www.idmed.com.br, a psicóloga e professora Miriam Tachibana afirma que “quando uma mulher perde um bebê, ela acaba vivenciando também uma interrupção de seus sonhos e projetos em relação à maternidade”. Daí a necessidade de externar sua tristeza e evitar que acabe se transformando numa doença.

“Os parentes devem incentivá-la a falar o que sente e o que pensa, mas sempre dentro dos limites dela. As mães costumam ficar pensando no que gostariam de ter visto o filho fazer. O ato de ela expressar essas coisas ajuda a compreender o acontecimento e fechar o ciclo”, explica a também psicóloga Carina Chagas Siviero, em texto publicado pelo site www.minhavida.com.br.

Curetagem
Depois da perda do bebê, Erica se submeteu a uma pequena cirurgia conhecida como curetagem. O procedimento permite evitar que restos de aborto fiquem presos ao útero mesmo após uma expulsão parcial. A curetagem é necessária para garantir que a mulher não sofra infecções graves com possíveis vestígios do feto. Se isso acontece, a paciente corre sérios riscos.

“Eu não queria ter enfrentado a cirurgia, mas foi necessário e de extrema importância. Fiquei sedada no momento que os médicos realizavam o procedimento, porém, depois que acordei senti fortes dores no útero. Chorei muito depois que recebi alta. Voltei pra casa me sentindo inútil. A gente pensa as piores coisas na hora, mas depois acaba superando”, desabafa.

Bruna Amaral
Redação Filhos&Tal