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Alergia alimentar na infância: tudo que você precisa saber Entenda o que é e como ocorre a condição que atinge de 6% a 8% das crianças com menos de três anos.

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A alergia alimentar na infância acomete de 6% a 8% das crianças com menos de três anos, segundo dados da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai). Um problema que, sem o devido acompanhamento, pode causar inúmeros transtornos aos pequenos e suas famílias. Mas o que exatamente é e como ocorre a alergia alimentar? Por que esses percentuais vêm aumentado? Tem cura? Nesta matéria, trazemos alguns esclarecimentos sobre o assunto.

Alergia alimentar não é o mesmo que intolerância
Apesar de confundir, não é a mesma coisa. Alergia alimentar é o resultado de reações imunológicas após a ingestão, contato ou inalação de proteínas alimentares que o corpo julga serem maléficas, ainda que não sejam.

Já a intolerância alimentar ocorre quando o organismo não possui enzimas capazes de absorver os açúcares de determinados alimentos ingeridos. Um bom exemplo é a lactose, açúcar presente no leite e seus derivados. Quem tem essa intolerância não pode ingeri-lo, pois seu corpo não pode absorvê-lo, sob risco de diarreia, vômito, dores abdominais e inchaço.

A alergia alimentar na infância é causada principalmente pelas proteínas presentes nos alimentos, como leite, soja, castanhas, ovo, trigo, peixe e camarão. A alergia pode surgir na criança nos primeiros meses de vida, primeiramente através do leite materno, já que as proteínas que a mãe ingere passam para o bebê através do leite.

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Os principais sintomas são erupções na pele, urticária, espirros, tosse, corrimento nasal e dor de estômago. Por esses sintomas se assemelharem a outros problemas de saúde, o diagnóstico de alergia requer exames específicos e acompanhamento de um especialista, por isso é importante ter atenção.

“A gente começou a suspeitar logo que ele nasceu. Ele precisou tomar um complemento e imediatamente começou a passar muito mal. Empolou, teve crises de vômito e filetes de sangue nas fezes. O médico achava que era tudo menos alergia. E eu também não sabia que existia esse tipo de alergia”, conta a socióloga Daniela Canindé (38), cofundadora do grupo Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV Manaus) e mãe de uma criança com alergia alimentar ao leite, grau máximo.

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Vilões da alergia alimentar na infância
A alergia também pode ocorrer quando há atraso na introdução alimentar do bebê, assim como devido ao uso de antibióticos precocemente. Outro grande vilão da alergia alimentar é o agrotóxico.

Estudo publicado na revista americana ‘Anais de Alergia, Asma e Imunologia’, mostra o aumento da incidência desse tipo de problema nos Estados Unidos. “Nossa pesquisa mostra que altos níveis de agrotóxicos que contêm diclorofenol podem diminuir a tolerância alimentar em algumas pessoas, causando alergias alimentares”, disse a alergista Elina Jerschow, da Associação Americana de Alergia, Asma e Imunologia (Acaai).

Parto cesárea como fator de risco para alergia alimentar
De acordo com estudo realizado por médicos do Hospital Pirovano, de Buenos Aires (Argentina), e repercutido no portal BH Encontro, bebês que nascem por parto cesárea têm duas vezes mais chances de serem alérgicos ao leite de vaca.

“Quando o bebê passa pelo canal vaginal, ele recebe da mãe seus primeiros germes, que entram pela boa e nariz da criança e vão parar no intestino, criando, assim, uma resistência. Por outro lado, na cesariana, os germes recebidos pelo bebê estão espalhados pela sala de parto e não ajudam no desenvolvimento do sistema imunológico”, afirma o gastroenterologista pediátrico Christian Boggio Marzet, um dos responsáveis pelo estudo.

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Prevenção e tratamento
Segundo a nutricionista Ana Rita Gaia Machado, o aumento dos casos de alergia alimentar pode estar também associado à baixa exposição da criança a sujidades, o que impede o fortalecimento do seu sistema imunológico.

A profissional alerta para a importância do aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade, como prevenção ao surgimento de alergias alimentares em crianças. Por último, frisa a importância de a mãe evitar ingerir alimentos industrializados e à base de conservantes, principalmente durante a gravidez e durante o aleitamento, e também evitar oferecer esses alimentos para a criança.

Ao suspeitar de alergia alimentar na criança, o essencial é procurar um pediatra para reconhecer os sintomas e posteriormente encaminhá-la para um alergologista. O diagnóstico varia, principalmente, em relação ao grau de alergia. O mais comum são as dietas de exclusão preparadas por um profissional nutricionista e que eliminam a proteína alérgena ou procuram alternativas para seus componentes benéficos, como exemplo o cálcio para os que são alérgicos a leite de vaca.

A alergia alimentar não tem cura, mas é possível levar uma vida estável com o tratamento adequado. No caso da alergia a leite e ao ovo na infância, segundo Ana Rita Gaia Machado, em 80% dos casos, a criança passa a ser tolerante.

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Saúde mental da mãe e da criança
Mães de crianças com alergia são propensas a desenvolver ansiedade e depressão, assim como a criança alérgica. “Quando descobri que meu filho tinha alergia alimentar, pelo fato de ninguém na minha família ou entre meus amigos entender realmente qual era o problema, eu acabava sendo muito julgada. Falavam que eu queria colocar meu filho numa bolha, e que era muita frescura [a isolação por medo de contato]”, desabafa a acadêmica de direito Raquel Yara (28), também fundadora do grupo APLV Manaus.

Por conta disso, o psicólogo Robson Belo alerta para a importância de preservar a saúde mental desses indivíduos. “Evite o uso de frases que rotulem ou assustem a criança, como ‘não a toque, ela tem alergia’. Também não é recomendado isolar as crianças de outras, pois isso atrapalha o desenvolvimento e a autoestima dela. Em geral, é aconselhável que a mãe e a criança façam acompanhamento psicológico e também que encontrem redes de apoio”, completa.

Para mais informações, você pode entrar em contato com o grupo APLV Manaus (atende a Região Norte) por meio dos números (92) 99117-9316 (Daniela Canindé) e (92) 98118-1794 (Raquel Yara). Demais regiões, a lista de instituições pode ser acessada neste site.

Waldick Júnior
Especial F&T

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