Bem-estar

Amamentação com bico de silicone: bom ou ruim? Tire suas conclusões

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A formação do vínculo materno não é automática e sim gradativa. Por isso, amamentar é um processo significativo para o desenvolvimento do laço afetivo entre mãe e filho. Há situações, porém, em que o aleitamento materno de forma natural é dificultado, fazendo com que algumas mães procurem outras alternativas, como, por exemplo, a amamentação com bico de silicone.

Mas isso é bom ou ruim? Quais seriam suas vantagens e desvantagens da prática?

Causadora de controvérsias entre mães e especialistas, a amamentação com bico de silicone tem como proposta facilitar o processo de lactação para mamães que, por algum motivo, não conseguem fazê-lo de forma direta.

Ocorre que, quando o recém-nascido é apresentado à amamentação com bico de silicone, o padrão de reconhecimento do seio materno pode ser quebrado. As glândulas areolares, ou glândulas de Montgomery, produzem uma secreção que não só lubrifica a pele do mamilo, como também estimula olfativamente o bebê para que ele reconheça o seio e ative o reflexo de sucção, que não ocorre quando se usa o bico de silicone.

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fotos: Pixabay

A enfermeira e consultora materna Eurania Pita, ressalta que a amamentação com bico de silicone só deve ser feita mediante prescrição médica, caso contrário, deve-se evitar, pois pode trazer consequências negativas.

“O manejo inadequado da mama pode diminuir significativamente a produção de leite da mãe. Algumas mulheres, por terem hipersensibilidade mamária, adotam a amamentação com bico de silicone sem consultar um especialista na área, e esse uso sem conhecimento prévio pode lhe causar, por exemplo, candidíase mamária.”

Segundo Eurania, a amamentação com bico de silicone é recomendada apenas em situações muito específicas, como nos casos de mamilos planos, que dificultam a pega da mama para o bebê, ou anquiloglossia, quando os movimentos linguais do recém-nascido são dificultados.

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Movimentos limitados
Já a obstetra Alice Schultes disse, em um post no seu Instagram, que, na amamentação com bico de silicone, o bebê faz movimentos limitados de sucção e acaba desistindo de sugar o peito de sua mãe. “Além disso, o bico de transição faz uma pressão enorme na ponta do mamilo e advinha o que acontece para muitas mulheres? Sim, a temida fissura mamária”.

No mesmo post, a maquiadora Alice Raulino, uma das seguidoras da médica, disse ter aprovado a experiência. “Usei e amei. Meu filho mamou com ele sem problemas. Quando tentei tirar, ele não aceitou, então continuou usando até os nove meses e ganhou bastante peso. Para mim, funcionou.”

Também repercutindo as colocações da obstetra, a nutricionista Taty Machado disse se preocupar com o uso indiscriminado do bico de transição. “O que mais vejo é o uso indiscriminado do bico, ausência de bom manejo de amamentação. Entendo as mães que só conseguiram amamentar com o bico, pode ser que a sua experiência tenha dado certo, mas não é o que ocorre com a maioria.”

Vale ressaltar também que a amamentação com bico de silicone tem um tempo certo para ser inserida e retirada, ainda que tenha sido prescrita por um especialista. É de extrema importância que as orientações do profissional sejam seguidas, para que não haja resultados negativos para a mãe e o bebê.

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Lunna Farias
Filhos&Tal