Bem-estar

Amamentação: mãe lactante pode comer chocolate na Páscoa?

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Chocolate é quase uma unanimidade entre as mulheres, mas, no período de gravidez e amamentação, elas costumam suspender o consumo, muito por conta dos mitos sobre como o alimento afetar a saúde de seus bebês. Porém, com a chegada da Páscoa, há quem se arrisque com um pedacinho ou outro da guloseima. Mas afinal, mãe lactante pode ou não comer chocolate na Páscoa?

Bem, segundo os entendedores do assunto, depende. Quando consumido com moderação, tanto faz ser na gravidez quanto na amamentação, comer chocolate não faz mal para o bebê, nem para a mãe, seja na Páscoa ou em qualquer outra época. Porém, vale ressaltar que isso não é uma regra, cada caso é um caso. Portanto, qualquer sintoma de desconforto na criança após a amamentação, ou mesmo na gestante, o médico deverá ser consultado.

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De acordo com a pediatra e neonatologista Rossiclei de Souza Pinheiro, membro do Departamento Cientifico do Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria, os estudos mostram que não existe evidência de associação direta do consumo de chocolate pela mãe lactante as com cólicas no bebê recém-nascido. Mas a alergia à proteína do leite de vaca na composição do chocolate pode sim estar associada com o refluxo (golfadas), bom como o excesso de açúcar pode trazer alguma complicação.

“Não existe evidência sobre malefícios do chocolate em si, mas o açúcar em excesso pode sim ser prejudicial. Isso porque o desenvolvimento das papilas linguais ocorre conforme a oferta dos alimentos. E se a criança ingere excesso de açúcar, a memória alimentar será para este grupo, então, o risco de obesidade será maior. Também é importante lembrar que a predisposição é epigenética (meio ambiente e genética)”, orienta a médica.

Além disso, em embora em quantidade pequenas, a cafeína na composição do chocolate poderá afetar o leite da mãe se o alimento for ingerido em excesso, o que possivelmente terá consequências no sono do bebê, que ficará mais alerta.

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A doutora Rosiclei alerta, ainda, que o cacau contém teobromina (Dimetil-3,7-Xantina), derivado de cafeína. Embora com menos potencial neuro-excitante, se a mãe comer mais de 400g por dia (o que é muito), poderá causar irritabilidade ou cólicas abdominais no bebê. Por conta disso, a mamãe lactante deve se conter em relação à quantidade chocolate na Páscoa, já que os apelos de propagandas sempre instigam a um maior consomo.

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Embora algumas pessoas arrisquem dizer que chocolate X faz menos mal que o chocolate Y, a pediatra prefere falar que não existe chocolate mais ou menos adequado, e sim moderação.

“Fazer ‘mal’ ou ‘bem’ o futuro mostrará pelas preferências alimentares da criança e como será oferecido pela família. Não existe quantidade correta de consumo de chocolate, tudo com moderação deixará a mãe mais feliz. Existem pessoas que não conseguem ficar sem o “delicioso” chocolate na Páscoa, então podem optar pelos zero açúcar e com maior teor de cacau”, orienta.

Cuidados com a alimentação
A pediatra destaca também que os trabalhos não são claros sobre restrições alimentares na gravidez e amamentação. Entretanto, é comprovado que o sabor do líquido amniótico (que envolve o bebe no útero) tem o gosto dos alimentos que a mãe come, principalmente os industrializados, portanto, o bebê provavelmente vai gostar do que ela come.

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Rossiclei Pinheiro enfatiza que, durante a gravidez, a mãe deve ter uma alimentação saudável, a fim de garantir a sua própria saúde e a do bebê. Segundo ela, é importante que a mulher faça três refeições ao dia (café da manhã, almoço e jantar), além de dois lanches saudáveis. Isso evita que o estômago fique vazio por muito tempo e previne fraquezas e desmaios.

Além disso, a médica ressalta a importância do acompanhamento pré-natal com orientação alimentar para controlar ganho de peso e não ter doenças associadas, como diabetes gestacional e hipertensão arterial.

Gerson Freitas
filhos&tal