Bem-estar

Amamentação pode ajudar no combate à obesidade infantil, diz OMS

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O excesso de peso já é considerado epidemia mundial. Só no Brasil, mais da metade da população está com sobrepeso (55,7%), segundo os últimos dados do Ministério da Saúde. Entre 2006 a 2018, a taxa de obesos no país passou de 11,8% para 19,8%. Uma realidade que, infelizmente, também afeta as nossas crianças. A boa notícia é que a amamentação, entre outros benefícios, também pode ajudar no combate à obesidade infantil.

Levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), e apresentado no primeiro semestre deste ano, no Reino Unido, aponta que crianças amamentadas têm até 25% menos chances de virem a ser obesas. O estudo, envolvendo 30 mil crianças de 16 países europeus, constatou que 16,8% das que não receberam leite materno sofriam de obesidade infantil.

Outro dado da OMS é que pelo menos 41 milhões de crianças menores de cinco anos já estão acima do peso no mundo, o que chama a tenção para a qualidade da nutrição dessas crianças desde o momento em que nascem, e é nesse contexto que entra a importância da amamentação.

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A OMS recomenda a amamentação exclusiva até os seis meses do bebê e, de forma complementar, até os dois anos de idade. Afinal, o leite materno, além de saciar a fome e conter todos os nutrientes que a criança precisa para se desenvolver, também funciona como uma espécie de vacina para os pequenos, visto que fortalece a sua imunidade e previne contra diversas doenças.

Já o desmame precoce ou a completa falta de amamentação são considerados, pela Sociedade Brasileira de Pediatria, fatores determinantes para a obesidade infantil, devido a substituição por alimentos ou fórmulas inapropriadas para o período.

As fórmulas infantis, ou leite de vaca com composição nutricional modificada, têm nutrientes e conteúdos proteicos muito maiores que o leite materno humano, e é esse excesso que predispõe à obesidade infantil no futuro, bem como outros problemas de saúde. Além disso, têm deficiência de alguns aminoácidos, como a taurina, o que prejudica o desenvolvimento neurocerebral da criança.

“Estudos mostram que o leite materno não tem mais nem menos. Ele é programado para atender bem exatamente todas as necessidades que o metabolismo do corpo precisa em seus primeiros meses, com reflexos para o resto da vida”, diz a pediatra Érika Veloso. Ela enfatiza que o leite materno contém um hormônio chamado leptina, que age na inibição do apetite e no processamento dos nutrientes pelo metabolismo, razão pela qual um bebê amamentado aprende a regular melhor a sua saciedade que outro alimentado com fórmulas.

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“A obesidade infantil é um fator de risco para o desenvolvimento de várias doenças, incluindo colesterol, pressão alta e até doenças cardiovasculares. Além de aumentar, e muito, as chances dessa criança vir a ser um adulto também obeso.

Dificuldades
Mais que gerar laços afetivos entre mãe e filho, a amamentação é um ato de cuidado com a saúde do bebê, por isso não deve ser tratada de forma banal. Claro que muitas mães sentem dificuldades em amamentar, sentem dores ou mesmo não sabem a melhor forma de fazer seus filhos ‘pegarem’ o peito.

Isso pode causar uma sensação de desânimo e até de desespero. Porém, com paciência e persistência, todas essas dificuldades podem ser vencidas. Então, na dúvida, consulte um pediatra neonatologista ou peça ajuda a uma enfermeira/consultora maternal. Não se deixe enganar por propagandas ou ‘conselhos’ desqualificados. Não existe leite materno ‘fraco’ ou ‘pouco’. Seu leite será sempre o melhor para a saúde do seu bebê.

Filhos&Tal

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