Bem-estar

Andar na ponta dos pés pode ser prejudicial para o meu filho?

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Andar na ponta dos pés durante a infância é mais comum do que se imagina. Felizmente, na maioria dos casos, é uma condição benigna que tende a se resolver espontaneamente.

Segundo a fisioterapeuta Walkíria Brunetti, especializada em fisioterapia neurológica, o termo médico para andar na ponta dos pés é marcha em pontas idiopática.

Essa condição é caracterizada pela falta de contato do calcanhar com o chão, na fase inicial da marcha. Normalmente, aparece durante o seu desenvolvimento e persiste até os dois anos de idade.

“Mesmo crianças com desenvolvimento psicomotor normal podem andar na ponta dos pés. Essas crianças, portanto, são capazes de realizar o apoio da planta do pé no chão por completo, mas não o fazem”, comenta Walkíria.

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Muito comum
O andar na ponta dos pés tem uma incidência de 7% a 24% da população pediátrica. Muitos pais procuram ajuda especializada quando percebem que os bebês começam a andar na ponta dos pés, sendo esse um dos principais motivos de consultas com neuropediatras.

Para Walkíria, isso é importante, pois esse padrão de marcha pode ser um sinal de algumas patologias, como paralisia cerebral, distrofia muscular ou ainda do autismo. Entretanto, a boa notícia é que, na maioria dos casos, a criança andar na ponta dos pés não tem ligação com outras condições neurológicas.

“Outra característica importante é que a criança anda na ponta dos dois pés, ou seja, é bilateral. Para o diagnóstico, é preciso ainda que tenha uma duração superior a três meses. Assim, caso a criança ande na ponta dos pés de vez em quando, não é preciso se preocupar”, reforça Walkíria.

Curiosamente, estudos apontaram que crianças cujos pais ou familiares de primeiro ou segundo grau tenham tido esse padrão na infância, têm maior chance de andar na ponta dos pés. Outro estudo mostrou ainda que é mais prevalente nas crianças com predominância da mão esquerda, ou seja, canhotas.

criança tropeça por andar na ponta dos pés

Andar na ponta dos pés pode causar tropeços frequentes à criança – fotos: Pixabay

Tropeços frequentes
A origem do andar na ponta dos pés é desconhecida, por isso é chamada de idiopática. “Mesmo sendo benigna, é preciso corrigir. A repetição do movimento pode causar dores nos membros inferiores, levar a criança a cair ou a tropeçar frequentemente e dificultar atividades esportivas.”, ressalta Walkíria.

“A terapia é importante, pois se a criança começa a crescer com o calcanhar no ar, pode ocorrer encurtamento do tendão de Aquiles, dos músculos posteriores do joelho e da coluna. O tronco pode ser levado para a frente também, pois quando levantamos a ponta do pé damos um impulso para frente”, explicou.

Defensividade tátil: possível causa
Recentemente, os especialistas têm sugerido que andar na ponta dos pés pode estar relacionado a déficits no processamento das informações sensoriais do sistema tátil. Algumas crianças desenvolvem respostas negativas ou até mesmo aversivas a algumas situações que demandam o tato.

“Cortar ou pentear o cabelo, cortas as unhas, usar roupas com etiquetas, pisar em pisos mais ásperos, andar sem calçados ou comer certos alimentos mais pastosos, por exemplo, são algumas atividades que podem ser impossíveis para essas crianças”, diz Walkíria.

Como andar na ponta dos pés pode ter ligação com o sistema de integração sensorial, umas das terapias mais usadas é a de integração sensorial. “Durante as sessões são criados estímulos para as necessidades individuais de cada paciente. Costumamos usar cama elástica, rampas, balanços, túneis de tecido e escorregadores, entre outros instrumentos”, comenta a especialista.