Cuidado Infantil

Anemia falciforme na infância: como diagnosticar e tratar

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Doença genética de maior incidência no Brasil, a anemia falciforme chega a acometer cerca de 3.500 crianças por ano no país. Ainda sem cura, pode impactar significativamente na qualidade de vida dos pequenos, por isso, o diagnóstico precoce e o tratamento regular são de extrema importância. Confira neste texto alguns sintomas e características da doença.

Mas por que ‘falciforme’?
A anemia falciforme é caracterizada por uma alteração na membrana dos glóbulos vermelhos do sangue, moldando-os em forma de foice, daí o nome. Uma vez que esses glóbulos perdem suas propriedades de proteção, podem romper-se mais facilmente, causando a anemia.

Por conta da variabilidade clínica, a anemia falciforme pode manifestar-se de formas distintas nos pequenos. Alguns podem ter mais infecções, enquanto outros podem apresentar mais crises de dor, por exemplo. Nem toda criança com anemia falciforme apresentará todos os sintomas, por isso a essencialidade do diagnóstico precoce.

glóbulos vermelhos são alterados pela anemia falciforme

Em portadores da doença falciforme, os glóbulos vermelhos sofrem mutações e adquirem forma de foice – fotos: Canva Pro

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E a quais sintomas os pais devem estar atentos?
Segundo a pediatra Annelyse Araújo, as crises de dor são o sintoma mais comum na anemia falciforme e o principal motivo em casos de hospitalização. “A frequência, intensidade e duração dessa dor são variáveis de criança para criança. Quando leve, pode ser tratada com ingestão de água e analgésicos, mas, quando muito insuportável, a hospitalização pode ser necessária”, explica a médica.

Além desse, outros sintomas que podem ser indicativos da anemia falciforme merecem atenção. A febre, por exemplo, indica situação de risco para as crianças e requer encaminhamento imediato para avaliação médica. Também pode haver a ocorrência de icterícia, quando a parte branca dos olhos adquire uma cor amarelo ouro; e úlcera de perna, feridas localizadas na região abaixo do joelho. Mas esse último sintoma costuma manifestar-se a partir dos 10 anos, somente.

A assistente Bruna Souza, mãe da pequena Talita, de um ano e 10 meses, conta que a rotina com a filha exige um cuidado muito grande, pois a crise falcêmica não tem dia, nem hora, para chegar. “A gente observa cada detalhe no dia a dia dela. Fazemos acompanhamento com uma hematologista a cada três meses, e a cada seis meses, um check-up geral com oftalmologista, endocrinologista, cardiologista e pediatra”, revela.

talita, diagnosticada com anemia falciforme, e família

Mesmo convivendo com a anemia falciforme, Talita é sorridente e cheia de força – fotos: Acervo de família

Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico da anemia falciforme é feito através do exame Eletroforese de Hemoglobina. Mas, logo nos primeiros meses de vida, já é possível se precaver. O teste do pezinho, por exemplo, pode detectar a presença de hemoglobinopatias, como a anemia falciforme infantil.

No caso de Talita, seu diagnóstico se deu através do teste do pezinho, sete dias após seu nascimento, o que, para a mamãe Bruna, foi uma surpresa. “A hematologista nos questionou se algum de nós, os pais, éramos portadores da doença. Então, fizemos o exame e, para nossa surpresa, eu e o pai temos o traço da doença falcêmica, o que fez com que a Talita nascesse com anemia falciforme”, conta.

Caso confirmada a anemia falciforme, a criança precisa ter acompanhamento médico baseado num programa de atenção integral, no qual será acompanhada por toda a vida, com vários profissionais que darão orientação quanto à gravidade, tratamento e medidas de prevenção de crises.

Vale lembrar que portadores da anemia falciforme devem evitar o consumo de alimentos ricos em ferro, pois o mineral pode potencializar as crises de dor. Bruna precisou tirar alimentos como feijão e beterraba da rotina de alimentação da filha que, por ser muito nova ainda, precisa de complementação de vitaminas C e D.

Além da alimentação, outro fator que impacta diretamente portadores da anemia falciforme é a exposição ao frio. “Não costumo levar a Talita para balneários ou piscina pois a exposição ao sol, vento e água fria, ao mesmo tempo, traz as crises de dor à tona, baixando a imunidade dela”, destaca a mãe.

A doutora Annelyse ressalta que a escolha de um profissional adequado é essencial para o tratamento, pois, como foi dito antes, a anemia falciforme pode manifestar-se de formas diferentes, sendo necessárias receitas específicas para cada caso.

Lunna Farias
Filhos&Tal