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Sonho ou pesadelo? Após virar mãe, você nunca mais vai dormir bem?

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Desde que engravidamos, começamos a ouvir o clássico “aproveita para dormir agora!”. Mesmo quem nunca teve filho, repete indiscriminadamente isso porque sempre ouve todo mundo falar a mesma coisa: “depois que virar mãe, você nunca mais vai dormir bem”. Essa ideia acaba sendo fixada no nosso subconsciente e aceitamos que faz parte da maternidade e que é um desafio que teremos que encarar.

Chegamos em casa com um bebezinho nos braços enfrentando uma rotina completamente nova: muitos aprendizados, aquele clima de tensão no ar, o silêncio pairando pela casa, a dor na amamentação, o choro descontrolado e muita insegurança dos recém-papais. Aí vem a primeira madrugada e você começa a entender que “não dormir” não é tão simples assim.

Há bebês que dormem bem desde os primeiros dias. Já ouvi várias mães dizendo isso e confesso que me mordo de inveja. Por aqui, foi completamente enlouquecedor. Minha filha não dormia cinco minutos fora do colo. Outro clássico da maternidade: “parecia que o berço tinha espinhos”. Sim, parecia! Eu amamentava, colocava para arrotar, percebia que estava dormindo e colocava no berço. Quer dizer, tentava. Ela chorava na mesma hora e eu colocava de volta no peito para que ela adormecesse e tudo se repetia.

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Depois de três noites inteiras sentadas na cama, percebi que, encostada no meu peito, ela continuava dormindo e fui deitando um pouco para ficar mais confortável, até que consegui deitar por completo com a cabecinha dela apoiada em meu ombro e assim passamos a dormir: fazendo cama compartilhada. Não foi por opção, por teoria do apego, nem nada disso. Foi pura exaustão!

Artifícios para tentar fazer a bebê dormir

Quando percebi que assim ela dormia entre quarenta minutos e uma hora e meia, comecei a tentar outros artifícios: ninho, cadeirinha e até bebê conforto foram parar em cima da cama na tentativa de que eu tivesse meus braços livres naqueles quarenta minutinhos de sono. Não rolou. Só dormia no ombro da mamãe. Eram, em média, seis a oito despertares por noite, e sempre tinha aqueles em que ela demorava muito para voltar a dormir. Eu chorava, perdia a paciência e chorava mais!

Se alguém me perguntar para qual momento da minha vida eu não gostaria de voltar nem por um segundo, não tenham dúvidas de que seria esse!

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Quem nunca passou por algo assim, pode achar um exagero: “ah, mas você não queria ser mãe? Não sabia que ia ficar sem dormir?”. E o que eu posso dizer sobre isso é que a teoria é muito diferente da prática. Não tentem comparar a quantas vezes você já virou a madrugada em uma festa. Não é como uma balada ou uma prova de resistência de reality show, em que você tem a opção de decidir quando sair. É um serzinho de cinquenta centímetros que decide. E parece que ele nunca decide te deixar dormir.

Houve uma vez que ela ficou no berço, eu olhei a hora e deitei. Capotei. Dormi pesado. Acordei com um chorinho, e ao levantar, descobri que apenas oito minutos haviam se passado.

Passar a madrugada nesse cochila, acorda, deita, levanta, é algo surreal. O cansaço era tão pesado que chegava a doer no meu peito. Eu queria me conformar de que passaria a noite acordada, mas meu corpo simplesmente não aguentava. Mesmo que você tenha alguém ao seu lado, você se dá conta do quanto a maternidade é solitária, porque naquele momento, só eu poderia estar ali dando o que ela precisava, e o que não precisava também, pois sem perceber, eu estava instalando maus hábitos, de dormir no peito, no colo, etc., mas como pensar em bons hábitos quando você não tem o conhecimento adequado, está exausta e tudo que quer é três horas seguidas de sono?

Os dias também eram super cansativos. Ela fazia várias sonecas curtinhas no meu colo. Cheguei a passar dias inteiros no sofá, pois era mais fácil amamentar, arrotar e deixar dormindo no colo mesmo. Eu não tinha rotina, não tinha motivação e me arrastava dia após dia.

Ajudar para fazer a bebê dormir

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Quando ela completou três meses, soube que já podia fazer uma consultoria do sono e foi aí que conheci um dos anjos que tenho na minha vida, a Ana Carolina Buzaglo (psicóloga e doula). Relatei toda nossa rotina e ela me avisou que precisávamos mudar várias coisas: a rotina, as atividades, o banho de sol, a forma de fazer dormir, o local em que ela dormia de dia, a rotina de sono da noite… tudo foi ajustado conforme as orientações dela.

Em uma semana, minha bebê já fazia duas a três sonecas no carrinho durante o dia. Foi um alívio! Após três meses e meio, eu voltava a ter tempo para pensar em mim, fazer uma atividade física na sala, ler e comer com as duas mãos. Eu voltei a me sentir motivada para acordar e viver de verdade mais um dia!

Já o sono noturno foi mais difícil. Nas madrugadas, o cansaço me vencia e eu não conseguia seguir todas as recomendações da consultora de sono. Os despertares diminuíram para uns quatro, o que já era um progresso, mas ainda estava longe do ideal. Mesmo assim, não sei bem como, mas meu corpo se acostumou, e depois que eu acordava, conseguia me sentir bem-disposta o dia inteiro (ou quase).

Quando minha filha completou dez meses, eu já havia voltado a trabalhar e sonhava com uma noite inteira de sono. A consultora do sono me disse que ela já poderia fazer um desmame noturno, se a pediatra autorizasse. Como ela se alimentava bem e estava com ganho de peso adequado, concordamos que era a melhor alternativa. Eu também estava precisando de coragem para fazê-la dormir em seu próprio quarto e aproveitei o empurrão para fazer todos os ajustes de uma vez.

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Comecei a testar a ideia do desmame noturno sozinha, passando a não oferecer o peito nos primeiros despertares da madrugada, ninando-a no colo e colocando no berço, e assim as mamadas noturnas foram diminuindo. Até que iniciei, oficialmente, o processo, orientada pela consultora do sono e coloquei-a para dormir no berço do seu quarto.

Como o ritual de sono noturno já estava bem estabelecido e ela ficava bem cansada da creche, adormeceu facilmente em outro ambiente. Coloquei um colchão no quarto dela e passei cinco noites dormindo lá.

Na primeira madrugada, ela acordou de hora em hora e eu relembrei aqueles primeiros meses em que eu chorava de sono. Na segunda noite, acordou umas três vezes. Na terceira noite, ela dormiu direto até de manhã. Eu acordei várias vezes e fui olhar o berço para ver se estava tudo bem. Nem acreditava!

De uma bebê que acordava quatro a cinco vezes na madrugada, minha filha passou a dormir nove a dez horas seguidas de uma hora para outra.

Tempo para dormir e cuidar de mim

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A psicóloga e consultora do sono Ana Buzaglo foi quem ajudou mãe e filha a dormirem melhor – fotos: acervo da família

Recentemente, passei por outra consultoria de sono para resolver o hábito de adormecer no peito. Hoje, com um ano e quatro meses, nossa rotina da noite se resume a oferecer o jantar, escovar dentes, dar banho, vesti-la, colocá-la no berço, dar um beijo e sair do quarto. Ela deita e dorme sozinha. Simples assim!

Vejo muitas mães exaustas com crianças de três anos que ainda acordam de madrugada, achando que isso é normal, ou que ser mãe é assim mesmo. Mas não é, e nem precisa ser.

A criança precisa de uma noite de sono reparadora para crescer e se desenvolver adequadamente. E a mãe precisa de uma noite de sono razoável para viver bem e ter disposição, inclusive para ser mãe, porque vamos combinar… exige muito. Como dar nosso melhor para nossos filhos, marido ou carreira se não conseguimos nem recarregar as energias de um dia para o outro? Sei de mulheres que passaram a tomar antidepressivos, quando tudo que elas precisavam é de uma boa noite de sono.

Por isso, quando me perguntam se a consultoria do sono valeu a pena para mim, nem hesito em responder que salvou a minha vida. Pode parecer exagero, mas quem já viveu na pele sabe do que estou falando. Minha filha não sofreu, pois sempre que estranhava uma mudança, eu estava com ela no colo, consolando o choro, fazendo carinho, mostrando o quanto ela é amada e passando-lhe a certeza de que aquilo era o melhor para nós duas. E cada vez que ela correspondia, e passava a fazer o esperado, como adormecer sozinha e dormir à noite inteira sozinha em seu quarto, eu reforçava a minha certeza de ter feito a coisa certa.

Ela dorme e se desenvolve melhor. Eu durmo e tenho uma vida mais alegre e produtiva por mim e por ela. E de dia, a gente se abraça, troca carinhos e muitos beijos. Quando ela se machuca, é para o meu colo que ela corre. Quando se chateia, é comigo que ela vem chorar. Quando está feliz, ela corre e me dá um abraço apertado. Então, não me venham com essa história de que prejudica o apego. Aqui não! O apego e a amamentação continuam a todo vapor. Amém!

Eu precisei de força para tomar algumas decisões. Chorei e me cansei mais que o normal em alguns dias para fazer dar certo. Mas, considerando o benefício, nem preciso responder se valeu a pena, né?

Pode até ser que nunca mais consigamos dormir totalmente despreocupadas e sem hora para acordar, mas uma coisa que descobri na marra após virar mãe, é que dormir bem é necessário, e sim… é possível.

 

Vanessa-Marques

 

Mãe da Duda
Digital influencer no instablog Util&Futil
@utilefutil_

1 Comment

  1. Juliana

    3 de setembro de 2019 at 06:50

    Só de ler seu depoimento, me sinto sortuda. Meu bebe de 2 meses dorme por volta das 19:30, acorda 1x na madrugada e depois so proximo de amanhecer. E mesmo assim, eu sinto muitooo sono!!! Crianca ter rotina faz toda a diferenca!!

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