Lazer

Bandinha da Manu – Mãe de Manaus cria evento de Carnaval para filha deficiente O carnavalzinho da inclusão acontece no dia 8 de fevereiro, com a participação de 30 crianças PCDs

 | 

Quem não gosta de brincar Carnaval, a festa popular mais esperada pela maioria dos brasileiros? Pensando nisso, a empresária Rosa Albuquerque, de Manaus, criou a Bandinha da Manu, em homenagem a sua filha adotiva Emanuelle Taysa da Silva Albuquerque, de 8 anos, que é PCD (Pessoa com Deficiência).

A mãe conta que a ideia surgiu da vontade de reunir crianças PCDs para brincar o Carnaval, uma vez que a maioria os bailes infantis na cidade não têm acessibilidade. “Recebi a Manu quando ela tinha um mês e sempre fiz com que ela levasse uma vida normal, apesar das limitações. Na época do Carnaval não seria diferente”, disse.

Marcada para o dia 8 de fevereiro, a Bandinha da Manu será realizada na quadra do Centro de Esporte e Lazer (CEL) Dom Jackson, localizado na rua Luiz Vaz de Camões, 77, Compensa I, zona oeste, ao lado da escola São João Evangelista.

Leia mais: As top animações que bombam como temas de aniversários infantis

Nessa primeira edição, a festa estava prevista para ser fechada e teria a participação de 30 crianças PCDs. Seriam filhas de integrantes do grupo Mães de Anjos, criado no WattsApp, para a trocar experiências do dia-a-dia, e outras de mães dos projetos Neuro Funcional, Jungle Runners, além da Escola Estadual Joana Rodrigues Vieira, onde a Manu estuda. Porém, devido à repercussão da ideia, acabou ganhando mais participantes.

Rosa esclarece que, neste ano, não estava em seus planos abrir a Bandinha da Manu ao público em geral, pois estava sem possibilidade de arcar com custos de aluguel para um espaço maior, uma vez que não contava com nenhum tipo de apoio institucional ou comercial.

Carnaval
“Após a mídia publicar sobre a festa, recebi muitos pedidos de mães de crianças PCDs para participar e comecei a ficar preocupada com a falta de espaço, foi então que iniciei minha saga para procurar um local maior e abrir o evento ao público”, diz.

Rosa informou ainda que depois de procurar vários lugares teve a ideia de alugar a quadra do CEL. “Fui até a mini vila-olímpica falar sobre o projeto e pedir para alugar o espaço, mas fui surpreendida pelo gerente do local, que nos disponibilizou o espaço gratuitamente com som e o que mais a gente precisar para realizar a festa”, comemora.

Para o gerente de atividades especiais da Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer (Semjel), Ewerson de Oliveira Carvalho, a iniciativa da mãe de Manu é uma grande oportunidade para trabalhar cada vez mais a inclusão de PCDs na sociedade.

“Na Semjel, temos um programa para PCDs chamado Viva a Diferença, em que trabalhamos com pessoas a partir dos quatro anos de idade até a fase adulta. Atualmente contamos com aproximadamente 100 alunos matriculados nas atividades esportivas, que os ajuda no desenvolvimento. Para a Bandinha da Manu pretendemos levar 30 alunos para aproveitar o carnaval e festejar”, informa.

Lanche Compartilhado
A criadora do evento salientou que mesmo aberta ao público, nesta primeira edição não haverá vendas de comidas de bebidas na Bandinha da Manu. “Já havia acertado com as mães que cada uma levaria um prato para o lanche compartilhado e mesmo com a mudança de local decidi que vamos continuar assim. Peço que quem for ao carnavalzinho da inclusão leve um prato para contribuir com o lanche”, salienta.

Para o lanche, serão distribuídas pulseiras para quem colaborou. Rosa explica que essa foi a forma que encontrou para deixar o lanche mais organizado. Cada responsável pode levar um prato para: bolo, sanduíches, pipoca, além de suco e água serão bem-vindos.

Na programação da Bandinha da Manu, além de lanche compartilhado e sorteios de brindes, um desfile de fantasia – com premiação para a melhor – também vai agitar a festa. A empresária conta que o principal objetivo é fazer com que as crianças PCDs possam se divertir como quaisquer outras e fazer a interação das famílias.

Rosa informa que um dos desejos é que a inclusão seja mais vista pelas autoridades e que a Bandinha da Manu cresça e alcance muitas famílias com crianças PCDs.

Marchinha da Manu

Outro destaque nesse ‘carnavalzinho da inclusão’ é a Marchinha da Manu, assinada pelo músico e compositor Jango Du Carmo, amigo de Rosa, que a presenteou com a obra criada especialmente para a 1ª edição da Bandinha da Manu.

“Foi uma grata surpresa. Havia convidado o Jango para tocar no dia da festa e ele nos presentou com a marchinha, assim como também vai doar em forma de vídeo para passar no evento. Estamos todos muito animados para o dia 8”, comenta Rosa.

E tem mais! Além da marchinha, a Bandinha da Manu também terá abadá, que está sendo vendido no valor simbólico de R$ 15 para as mamães que quiserem ir a caráter.

Manu
Emanuele Taysa nasceu com hidranencefalia (ausência total de massa cefálica) e epilepsia, causadas pela falta de oxigenação do cérebro na hora do parto. Rosa recebeu Manu com um mês de nascida e conta que sua mãe biológica sofreu com toxoplasmose, o que fez com que a criança tivesse má formação.

“Todos os médicos falam que Manu não tem muita expectativa de vida, pelo seu quadro clinico. Mas ela é uma caixinha de surpresas. Nasceu no dia 8 de julho, então, resolvemos fazer uma comemoração todos os meses. No dia da bandinha, meu presente de Deus estará completando 8 anos e 7 meses de muito amor. Vamos cantar os parabéns no bloquinho, junto com os amiguinhos dela”, fala entusiasmada a mamãe Rosa.

A empresária é mãe de mais três filhos: Pollyana Talyta, 30, Zayra Tays, 26 (biológicas) e Eglany Jr, 19, que também é adotado. Manu é a caçula da família.

 

Naritha Migueis

filhos&tal