Comportamento

Bullying – vítima e agressor sofrem consequências psicológicas

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Reconhecido como um problema enraizado na maioria das escolas, o mal que até certo tempo era tratado como “brigas inocentes de crianças” tem nome: bullying. Segundo dados do Ministério da Saúde, em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nas últimas décadas, o índice da prática aumentou de 4% para 7%, e apesar de parecer um crescimento inofensivo, é preciso buscar meios de ajudar os pequenos a entender o bullying.

Para se ter ideia, uma pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Fmusp), realizada com estudantes de 119 escolas públicas e particulares, revela que 29% dos entrevistados (foram 2.702, no total, do ensino fundamental) afirmam ter sido vítimas de bullying, uma porcentagem consideravelmente alta.

Normalmente, quando o problema é identificado, todas as atenções voltam-se para a punição do agressor, enquanto a vítima é esquecida. E o perigo está justamente no fato de que ambos estão sujeitos às consequências psicológicas da prática do bullying.

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Mas por que as crianças agem assim?
Em entrevista à coluna Equilíbrio, do blog Viva Bem, a coach familiar Valéria Ribeiro afirma que a criança que pratica o bullying com outro coleguinha, geralmente, o faz pela sensação de sentir-se poderosa e superior. “A maioria dessas crianças vive em um ambiente marcado pela punição física, pelo autoritarismo e pelo uso familiar de comportamentos agressivos ou explosivos”, explica a profissional.

Já as crianças que sofrem a ação do bullying, costumam ter dificuldade de interação social e problemas de autoestima. Valéria chama atenção para a estatística de que essas crianças têm três vezes mais possibilidade de pensar em suicídio, além de maior propensão a distúrbios emocionais e de alimentação na fase adulta.

E como podemos tratar esse mal?
Segundo a psicopedagoga Larissa Freire, uma alternativa efetiva para evitar o problema é educar preventivamente sobre o assunto. “A partir dos 5 anos, a criança já entende muitos conceitos. É ideal que os pais comecem a introduzir o tema nas conversas, explicando porque é errado e quais as consequências. Que tentem explicar de uma forma não muito complexa, a fim de facilitar o entendimento das crianças”, explica.

Ajudar os pequenos a entender o bullying pode ser uma tarefa difícil. Mas, apesar da complexidade do tema, existem formas mais brandas de introduzir o assunto nas conversas. Uma boa opção, é assistir filmes que retratem o problema com leveza.

E para ajudar você, mamãe ou papai, F&T separou alguns filmes que podem ajudar os pequenos a entender o tema de forma descontraída. Confira!

O Galinho Chicken Little (Classificação livre)
Chicken Little é um pequeno galinho cheio de imaginação que apronta as maiores confusões. Certo dia, ele vê um óvni despencando do céu e tenta alertar o perigo que sua cidade está correndo. Mas, por ser pequenino e frágil, nenhum dos habitantes acredita nele e o desprezam.

Universidade Monstros (Classificação livre)
Mike sempre foi considerado pequeno e frágil diante dos outros monstros da cidade de Monstrópolis. Agora, prestes a entrar na Universidade, ele se une a Sulley e outros monstros para tentar provar seu valor e mostrar que é capaz de qualquer coisa.

Ponte para Terabítia (Classificação livre)
Jess é um garoto que se sente excluído na família e escola. Até que ele conhece Leslie, uma menina diferente que também se sente excluída e, juntos, eles viajam para a terra de Terabítia, um lugar que criaram em sua imaginação, e vivem muitas aventuras.

Extraordinário (Classificação livre)
Auggie Pullman nasceu com uma deformidade facial e precisou passar por 27 cirurgias plásticas. Aos 10 anos, ele finalmente começa a frequentar uma escola regular, como qualquer outra criança, mas enfrenta muitas dificuldades para se encaixar por conta de sua aparência.

Lunna Farias
Filhos&Tal