Comportamento

Como fica o empreendedorismo materno durante a pandemia de Covid-19?

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A pandemia de Covid-19 tem causado impactos em diversos setores, mas é principalmente nos pequenos negócios que isso fica mais evidente. No Brasil, 24 milhões de mulheres estão à frente de empreendimentos, segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), e cerca de 75% delas abrem seus pequenos negócios após a chegada dos filhos, conforme a Rede Mulher Empreendedora. Diante deste cenário, como o empreendedorismo materno está sendo afetado, e quais as restruturações que os empreendimentos estão sofrendo para se adequar à nova realidade?

Criatividade, reinvenção, inovação e adaptação são algumas das palavras-chave para responder a esse questionamento. Foi o caso da fotografa Anne Lucy, 34, mãe do Benjamim, de três anos e 9 meses. Fotografando há quase 3 anos, Anne conta que se apaixonou por fotografias de parto humanizado durante sua gestação, o que a impulsionou a comprar uma câmera e começar a fotografar quando seu filho tinha pouco mais 1 ano e meio.

Anne e sua família. – foto: arquivo pessoal

Com um serviço delicado, que carrega afeto e memórias, a agenda de serviços de Anne era cheia. Ela chegava a fotografar entre 5 e 8 partos por mês e era contratada para fazer até 12 ensaios fotográficos mensais. A chegada da pandemia de Covid-19 no Brasil, porém, mudou completamente esse cenário, onde ela já teve 3 coberturas de partos cancelados e teve que fazer reembolso. “No momento, estou parada. As maternidades não estão permitindo a entrada e não estou fazendo nenhum tipo de ensaio. Só estou trabalhando em casa editando as fotos e fazendo álbuns para as clientes”, conta a fotografa, que mesmo com os cancelamentos conseguiu reverter os valores de outros serviços que já tinham sido pagos.

Com os hospitais restringindo a entrada de mais de um acompanhante por gestante, doulas e fotógrafos não estão sendo permitidos na hora do parto. Mas isso não desanimou Anne. Ela está focando seu empreendedorismo materno na venda de álbuns de fotografias, impressões de ensaios que tinha realizado, e que já tem planos para quando a pandemia passar. “Em breve, vou lançar uns vouchers com desconto para ensaios a serem feitos depois que tudo passar”, explica Anne.

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Aprendendo uma nova habilidade

Com uma pequena empresa de confecção de blusas personalizadas desde 2014, Sammy Menezes, 34, mãe de Guilherme, de 8 anos, e da Sophia, de 3 anos, viu seus negócios pararem com a pandemia da covid-19. A loja virtual da empreendedora, que tem mais de 11 mil seguidores, teve que fazer várias readaptações, e apesar de já trabalhar com entregas personalizadas, Sammy teve que aprender uma nova habilidade para salvar os negócios: a costura. “Minha mãe é costureira e começou a fazer as máscaras de tecido, e com isso vi uma grande oportunidade de fazer máscaras personalizadas. Fiz primeiro para mim, para saber se iam ter interesse e Graças a Deus deu certo”, relata a empreendedora, que aprendeu a costurar com a mãe e agora está confeccionando máscaras de tecido.

Sammy e seus dois filhos, Sophia e Guilherme. – foto: arquivo pessoal

Com as demandas sendo grande para as confecções das máscaras, toda a família ajuda no processo, desde o atendimento até os pedidos e entregas. Sammy também conta que o seu negócio de antes era mais lucrativo, mas está aliviada por encontrar uma alternativa para driblar o momento de crise, porém se enche de esperanças para quando a pandemia de Covid-19 passar. “Penso que assim que tudo isso passar, as vendas de blusas personalizadas voltarão com tudo e muita gente vai querer comemorar com festas todo finais de semana, e se Deus quiser isso vai ser logo”, conta Sammy.

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Readaptando o serviço

Outro setor muito presente no empreendedorismo materno é o de festas e eventos. Segundo a Associação Brasileira de Eventos Sociais, esse mercado movimentou quase R$18 bilhões em 2018. Os dados também relevam que as projeções de crescimento por ano são de 14%. Entretanto, com a pandemia de Covid-19, muitos eventos foram cancelados, e outros adiados, o que afetou diretamente os negócios nesse ramo.

Foi o que aconteceu com o ateliê móvel de brincadeiras da Wanessa Amador, 31, mãe da Maria Alice, de 5 anos. Turismóloga especializada em gestão de eventos, após a maternidade, em 2015, ela largou o emprego fixo para empreender com o ‘Brincando no ateliê’, um trabalho que une artes, música, contação de histórias, oficinas artísticas e o resgate de brincadeiras antigas.

Wanessa e sua filha, Maria Alice. – foto: arquivo pessoal

O cenário de isolamento social, porém, pôs um freio no negócio, e não demorou muito Wanessa pensar em alternativas e readaptar o serviço. Para manter o público por perto, ela mudou o foco e passou a utilizar as redes socias para reinventar seu negócio.

“Tínhamos certeza que não poderíamos, nesse momento, ficar longe do nosso público. Então, resolvemos mudar o foco. Ao invés de fazer propaganda das nossas atividades para futuras contratações, focamos em dar dicas de brincadeiras e oficinas artísticas, que já trabalhávamos nos eventos, para que os pais pudessem ter conteúdo em casa com as crianças”, conta a empreendedora.

Para deixar as atividades ainda mais interessantes e ajudar os pais neste momento, Wanessa preparou um tutorial com atividades e um kit de oficina artística, que pode ser comprado on-line. Isso não só a aproximou dos clientes antigos como ajudou no crescimento de um novo público. “O kit é composto de materiais que já usamos nos eventos, e foi a forma que encontramos para levar o Brincando no Ateliê para a casa das crianças. Estamos tendo uma ótima adesão do produto”, conta a empreendedora.

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Thayssa Castro

Especial para Filhos&Tal