Bem-estar

Alimentos saudáveis: crianças comem o que os pais comem Para que as crianças aprendam a comer alimentos saudáveis é preciso que os pais também comam o que oferecem nas refeições

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Introduzir alimentos saudáveis no dia a dia dos baixinhos poder ser, para muitos pais, uma tarefa complicada, que exige criatividade e habilidade para oferecer pratos atrativos aos filhos. Mas não precisa sai fazendo mágica para que as crianças se ‘encantem’ pelo colorido das frutas e verduras; a fórmula é até bem simples: basta que a família mantenha boas práticas alimentares durante as refeições.

Segundo a nutricionista Janara Lírio, especialista em sustentabilidade “as crianças comem o que os pais comem”. Por isso, é importante que os pais, ou responsáveis pela alimentação da criançada em casa, atentem para a prática de oferecer refeições com alimentos saudáveis e naturais, mas que também participem comendo os alimentos que desejarem ver os filhos comerem. “Incentivar os pequenos para o consumo de alimentos in natura é uma forma de ensinar a prática da sustentabilidade e ajuda a promover a implantação de bons hábitos alimentares”, recomenda Janara.

Nada de cara feia
A recomendação da nutricionista é a mesma que o engenheiro agrônomo Júlio Zolly, do hortifeira.com, costuma dar aos pais que participam de seus cursos e oficinas sobre horta caseira e alimentos saudáveis. “Se você costuma comer salada todo dia nas refeições e seu filho vê esse hábito, automaticamente vai considerar que isso é bom. Agora, se você faz cara feia para os alimentos saudáveis, a criança vai entender que aquela comida é desagradável”, afirma Zolly.

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Nas oficinas, o agrônomo Júlio Zolly envolve os pais nas brincadeiras para incentivar os filhos a gostarem de alimentos saudáveis

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O depoimento da dona de casa Michelle França confirma a hipótese de Júlio Zolly. Ela foi criada rejeitando legumes porque via a mãe não gostar de comê-los. Até hoje, a dona de casa não suporta sentir, por exemplo, o gosto de uma cebola ou cenoura. Resultado, os filhos detestam esses alimentos.
Embora ela coloque legumes e verduras ao preparar as refeições das crianças, na hora de comer, todos saem separando o que encontram no prato. “Eu sei que esse hábito eles adquiriram comigo, mas eu tento fazê-los entender da importância de uma alimentação rica. O problema é convencer, uma vez que eu mesma não gosto de comer o que eu ofereço”, relata Michelle.

Envolvimento
É por isso que, ao ministrar oficinas de hortas caseiras para crianças, Zolly procura envolver os pais questionando se gostam de tomates, comem alface ou cenoura da mesma forma que pergunta às crianças sobre as frutas, legumes e verduras nas refeições.
Dificilmente os pais respondem negativamente na hora da oficina, pois sabem que ali exercem a função educativa; é nessa hora que o agrônomo aproveita para mostrar aos adultos que os bons hábitos dos filhos dependem da referência que têm dos pais.

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“Minha filha de um ano se sete meses, quando faz cara feia ao ser introduzida a algum alimento novo, passa a comer sem medo porque eu e minha esposa provamos a comida e mostramos a ela que aquilo é bom. Funciona. Dá certo. Ela come tudo que oferecemos!”, enfatiza.

Jonária França
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