Bem-estar

Metade das crianças não toma a segunda dose da vacina contra o HPV Proteção contra doenças só é 100% efetiva se as duas doses forem tomadas corretamente

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A vacina contra o HPV está disponível gratuitamente em 36 mil postos de saúde no Brasil. Mesmo assim, mais da metade das crianças no país não toma a segunda dose do imunizante, que previne meninas de 9 a 14 anos contra o câncer do colo de útero e meninos de 11 a 14 contra o câncer de pênis, entre outras doenças. São duas doses com intervalo de seis meses, mas somente 52% das meninas tomam a segunda, já entre os menos esse percentual não chega a 25%.

Os dados foram comentados no último dia 30 de outubro, durante debate na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, quando parlamentares e representantes de entidades da saúde discutiram a ampliação da vacina contra o HPV no país.

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Dentre os motivos para a baixa adesão à vacina, estão a carência na disseminação de informações sobre as doenças que a vacina pode evitar; os tabus dos pais contra campanhas de vacinação; possível relação entre vacina do HPV e sexualidade precoce de adolescentes; baixo envolvimento de entidades estaduais e municipais em uma política nacional de prevenção.

“É preciso enfrentar tabus e cobrar responsabilidades de familiares e entidades públicas para ampliar a prevenção do HPV”, comentou a da deputada Flávia Morais (PDT-GO), que pediu a reunião na Câmara.

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A vacina contra o HPV previne diferentes tipos de câncer, dentre eles: câncer de útero, vagina, pênis, ânus, orofaringe e verrugas genitais – fotos: Pixabay

Ampliação da vacina
A deputada Erika Kokay (PT-DF), também presente no debate, sugeriu que a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher prepare uma publicação para que as pessoas conheçam melhor o que representa a vacina. Ela lembrou de tabus que enfrentou em um trabalho com meninas em escolas do Distrito Federal em gestão governamental do passado.

“Sofremos muita resistência, à época, de segmentos fundamentalistas que achavam que aquilo significava incitar a uma sexualidade precoce. Muitas famílias se organizando para impedir que suas filhas pudessem ser vacinadas. O que se apresentou como um desafio para enfrentar essa discussão”, disse a deputada.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis, Mauro Romero Passos, as campanhas sobre vacinação contra o HPV devem vir acompanhadas por debates sobre sexualidade.

“Tem todo um trabalho a ser feito não só pelo Ministério da Saúde, pelas secretarias estaduais e municipais, mas por toda a sociedade. No sentido de informar sobre o que é o problema de saúde pública e a importância de estar vacinando nossos adolescentes. É uma vacina muito segura”, cimentou a representante do Ministério da Saúde na audiência, Ana Goretti Maranhão.

Incidência
Segundo dados da Sociedade Brasileira de Oncologia, o câncer do colo do útero é a terceira causa de câncer da mulher atualmente no País. São 16 mil novos casos por ano. No mundo, são 300 mil mulheres mortas anualmente, um problema de saúde pública mundial.

A vacina contra o HPV protege contra quatro tipos do vírus HPV, sendo que, no exterior, já existe uma mais sofisticada que protege contra nove tipos. A vacina é a principal forma de prevenção contra o aparecimento do câncer do colo de útero. Nos homens, a vacina protege contra os cânceres de pênis, orofaringe e ânus. Além disso, previne mais de 98% das verrugas genitais, doença que estigmatiza e é de difícil tratamento.

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“É importante alertar que cobertura vacinal só está completa com as duas doses, por isso quem tomou a primeira dose deve voltar aos postos após seis meses”, explicou a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Carla Domingues, à Agência Saúde.

A infecção pelo HPV é contraída principalmente pela via sexual, mas também pelo contato direto com a pele, e o contágio com o HPV pode ocorrer mesmo na ausência de penetração vaginal ou anal.

Não está comprovada a possibilidade de contaminação por meio de objetos, do uso de vaso sanitário e piscina ou pelo compartilhamento de toalhas e roupas íntimas.

Para a representante da Sociedade Brasileira de Oncologia, Angélica Nogueira, o câncer de colo do útero é um problema de saúde pública que não deveria existir mais, dada a eficiência da vacina.

De acordo com Angélica, a incidência de câncer provocado por HPV é estável no país. Mas há variações regionais. Na região Norte, por exemplo, ainda é maior na mulher, superando o câncer de mama.

Com informações da Agência Câmara

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