Saúde

Doenças sazonais na Amazônia e o cuidado com as crianças  Período que vai de novembro a março aumenta incidência de síndromes gripais

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Em toda a Amazônia, o período das chuvas (novembro a março) é conhecido por trazer consigo as chamadas doenças sazonais, ou seja, enfermidades respiratórias que se manifestam com maior frequência nessa época do ano aqui na região. Em outubro de 2020, quando a atual estação iniciou, a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM) já havia informado sobre uma perceptível alta de casos.

Segundo o órgão, haveria aumento na circulação de certos vírus, que coexistiriam com o novo coronavírus. Em função disso, estavam ampliando o escopo de diagnósticos para vírus respiratórios na rede pública de saúde. Logo, em um contexto duplo de doenças sazonais e pandemia, é importante que os pais deem atenção especial para esse momento. A médica pediatra Juliana Ferreira Alves, do grupo Hapvida, cita as principais patologias.

“Essas doenças, geralmente, estão relacionadas ao clima e afetam com mais gravidade as crianças com menor idade. As mais recorrentes são as enfermidades respiratórias, como resfriados, gripes e bronquiolites. Mas, também entram na lista as já conhecidas dengue, zika, diarreias virais e conjuntivites”, explica a especialista.

Sintomas e tratamento

Em seu site, a FVS-AM indica os principais sintomas relacionados às síndromes gripais(SG). O primeiro deles é a febre (temperatura maior que 37,8 °C), ou sensação febril. Além disso, podem ser sinais também os calafrios, dor de garganta, tosse, coriza ou alterações no olfato e paladar.

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Médica pediatra do grupo Hapvida – foto: divulgação

Quanto ao tratamento, a médica Juliana Alves explica que costuma ser ‘simples’, geralmente voltado para combater os sintomas e fortalecer a imunidade até que o corpo combata o patógeno naturalmente.“Como a maior parte dessas doenças é viral, elas não têm tratamento específico. Geralmente, orientamos aumentar a ingestão de líquidos, uso de analgésicos e antitérmicos, e no caso das doenças respiratórias, lavagem frequente do nariz com soro”, comenta a profissional.

Como prevenir

Melhor do que tratar a doença é ter atenção para os cuidados necessários a fim de a evita-la. Por isso, a pediatra esclarece quais ações podem ser tomadas na rotina para prevenir as doenças sazonais.“Temos, hoje, a vacinação contra a influenza e H1N1, a qual deve ser feita anualmente. Essa atenção é em especial para crianças e idosos, os quais são mais vulneráveis”, afirma Juliana.

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Além da imunização, a médica diz que também é importante sempre lavar as mãos e utilizar o álcool em gel, assim como evitar locais fechados e aglomerações.

“No caso da dengue e zika, que são vírus transportados por mosquitos, o importante é evitar deixar água parada, próxima de onde se vive. Já a diarreia viral, outra doença sazonal, pode ser evitada com a correta lavagem das mãos e ao evitar levar objetos à boca”, orienta a pediatra.

Relação entre chuvas e doenças

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) demonstrou a relação entre chuvas e doenças consideradas ‘do período’. O artigo ganhou o nome de ‘Doença respiratória e sazonalidade climática em menores de 15 anos em um município da Amazônia brasileira’.

No texto, os autores descrevem as possíveis condições que podem fazer com que patógenos circulem com maior força entre novembro e março, na Amazônia.

“Vale ressaltar que a redução da umidade relativa do ar a valores abaixo de 30% é considerada de risco para a integridade das vias aéreas, dificultando a homeostase interna [bom funcionamento] do aparelho respiratório. Nos meses de chuva, em contraposição à problemática vivenciada nos meses de seca, a alta umidade relativa do ar, aliada ao maior tempo de permanência nos ambientes internos, ao menor arejamento e exposição ao sol dos espaços domiciliares, com consequente crescimento de mofo e fungos, são fatores que podem contribuir para o aumento das doenças respiratórias, especialmente as alérgicas”, afirma o estudo.

No artigo, os pesquisadores ressaltam ainda que, embora as doenças sazonais sejam velhas conhecidas da população, pesquisas sobre como ocorrem ainda são escassas. Ficou também comprovada a alta de casos relacionada ao aumento das chuvas.“Os atendimentos por doenças respiratórias foram, em média, 21% menos frequentes no período seco. Observaram-se picos de atendimento nos meses de março e agosto, mais acentuados em março, período chuvoso na região”, concluiu a pesquisa.

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Waldick Junior

Especial F&T