Gravidez

Especialista comenta mitos sobre parto normal e destaca seus benefícios

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Mesmo após as novas diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre os padrões de atendimento globais para mulheres grávidas saudáveis, o Brasil ainda figura como um dos que mais realiza intervenções cirúrgicas desnecessárias ou cesarianas. O procedimento já salvou e salva milhares de vidas todos os anos, mas só deve ser usado em caso de riscos para a mãe ou bebê. Caso contrário, o parto normal deve ser sempre a primeira opção.

 

Isso quer dizer sem interferência das equipes médicas e de enfermagem no sentido de acelerar ou manipular o trabalho de parto da mulher, ou seja, sem a aplicação analgésicos para dor, sem hormônios para estimular as contrações, sem anestesia e muito menos incisões para ampliar o canal de parto, a não ser em caso de complicações reais para mãe e bebê.

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A cultura de anos, porém, faz com que muitas mulheres ainda tenham dúvidas sobre os benefícios do parto normal, que é esclarecido pela ginecologista e obstetra do Hapvida, Ellis Akamy.

 

A especialista afirma que entre as vantagens do parto natural para a mãe está o fato de que ele é mais fisiológico, com melhor e mais rápida a recuperação, além de alimentação livre e maior liberdade de movimentos. Já para o bebê, ela elenca a diminuição da incidência de doenças respiratórias e broncoaspiração, a amamentação também pode acontecer logo após o nascimento, pois o leite materno, nesses casos, não sofre as ações dos agentes anestésicos e dos medicamentos utilizados no pós-operatório da mãe e, no parto normal, há maior passagem de anticorpos para o recém-nascido.

 

O momento do parto é sempre uma questão que deve ser conversada com o médico obstetra durante todo o pré-natal, para que não reste dúvidas, bem como entender o que o médico recomenda, pois cada gestação tem suas particularidades. Por isso, a obstetra Ellis Akamy lista seis mitos mais comuns sobre o parto normal. Confira:

 

1 – Cesárea é um procedimento sem dor

Como todo procedimento cirúrgico, ficamos fragilizadas e sentindo dores por mais tempo que o parto normal e isso pode durar meses.

 

2 – Medo da dor

Muitas mulheres dizem que não conseguiriam passar por um parto normal por serem muito sensíveis a dor. No entanto, existem métodos para diminuir a dor do parto normal, tais como massagens, óleos aromáticos, cromoterapias, além da analgesia de parto.

 

3 – Parto normal alarga o canal vaginal

A ideia é de que a passagem do bebê pela vagina alargaria o canal de parto, interferindo negativamente no prazer sexual do casal. Na verdade, os músculos envolvidos na ação para dar passagem ao bebê voltam ao normal logo após o parto normal.

 

4 – Falta de dilatação é um impedimento

A falta de dilatação não pode ser uma justificativa para a cesariana, pois para confirmar isso a mulher deve entrar em trabalho de parto. O que acontece é que durante as contrações, a dilatação pode evoluir de forma mais lenta, o que exige paciência da equipe médica e da paciente. A equipe médica precisa avaliar os casos.

 

5 – Parto normal sempre vem acompanhado de episiotomia

Raramente se faz episiotomia. Só quando o períneo retarda o nascimento do bebê e sempre se pede o consentimento para mãe. A episiotomia é um corte próximo a vulva para facilitar a passagem do bebê.

 

6 – Uma vez cesárea, sempre cesárea

Ainda que tenha tido uma cesárea em uma gestação anterior, a mulher pode realizar um parto normal na gestação seguinte. Orientamos as pacientes que deixem um intervalo de dois anos entre a cesárea e a nova gestação com objetivo de diminuir possíveis riscos.

 

Rede de apoio

Presente nas cidades de Recife (PE), Fortaleza (CE), Salvador (BA) e Belém (PA), o programa Nascer Bem, da rede Hapvida Saúde chegou a Manaus (AM) em 8 de maio com o objetivo de acolher a gestante com maior qualidade e segurança durante toda a gestação e pós-parto, assegurando um nascimento saudável.

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Em Manaus, prestes a completar um mês em operação, já são mais de 1.600 gestantes atendidas pelo programa. E pelo Brasil, atualmente são cerca de 18 mil mulheres beneficiadas. Os números mostram o resultado de uma iniciativa que cresce a cada ano.

 

Em Recife (PE), primeira cidade a receber o programa, em 2016, o número de partos normais na rede obteve uma evolução de 29% entre 2016 e 2018. Em Fortaleza (CE), em 2016, o número de partos normais na rede era de 1073, este número subiu para 2188, em 2018, uma evolução de 35%. Belém e Salvador obtiveram crescimento de partos normais de 42% e 39%, respectivamente.

 

Filhos&Tal

 

Com informações da assessoria

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