Educação

Falta de participação dos pais na escola compromete aprendizagem dos filhos

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Embora seja essencial durante o ano todo, em muitos casos, a participação dos pais na escola dos filhos só acontece quando o fim do ano letivo está chegando, até mesmo para tentar ‘salvá-los’ de uma possível reprovação, o que gera prejuízos de todas as ordens e para toda a família.

Entretanto, deixar para fazer o gol ‘aos 45 do segundo tempo’ é uma tática um tanto arriscada para quem investe tanto na aprendizagem dos filhos. O ideal, segundo a psicopedagoga Priscilla Lima, é que o acompanhamento da vida escolar dos filhos esteja inserido na rotina familiar.

A maioria dos pais e mães se queixa de falta de tempo por conta do trabalho, ou mesmo de responsabilidades envolvendo outros filhos etc. Porém, o dia a dia do mundo moderno é igual para todos, então é preciso driblar os obstáculos.

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“A gente sabe que não é fácil, tem correria o dia todo e é complicado para um pai ou uma mãe que chega às dez da noite do trabalho ainda ter que arrumar tempo para o acompanhamento da vida escolar das crianças. Porém, não tem jeito. A participação dos pais na escola é fundamental para o sucesso da aprendizagem dos filhos”, enfatiza especialista.

Rotina é fundamental à aprendizagem dos filhos
Priscilla Lima atende em seu consultório diversos casos de pais e mães em busca de ajuda para melhorar o desempenho dos filhos na escola e a dica, para todos, é sempre a mesma: “rotina é fundamental”.

A psicopedagoga, que é doutora em infância, fala que pais e filhos precisam estar em sintonia quanto ao processo de aprendizagem e para isso têm de ter uma rotina definida para se encontrar e conversar sobre o assunto. Pode ser antes do café da manhã, na hora do almoço, após o jantar ou em qualquer outro momento que seja possível no dia a dia da família. O importante é estabelecer uma rotina de acompanhamento da vida escolar das crianças.

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Priscilla Lima atende em seu consultório diversos casos de pais e mães em busca de ajuda para melhorar o desempenho dos filhos na escola – foto: Yndira Assayag

“Quando falo de participação dos pais na escola, não quer dizer, necessariamente, estar fisicamente lá sempre, mas manter uma interação com a vida escolar dos filhos. Isso pode ser feito por meio da checagem diária da agenda, por exemplo, pois é nela que a escola faz toda sinalização do desempenho da criança ou de suas dificuldades”, comenta lembrando que algumas, inclusive, já têm agenda online, que podem ser acessadas pelos pais até mesmo do trabalho.

“Vistoriar a mochila da criança também é importante, pois tem delas que perdem livros ou outros materiais importantes para o dia a dia escolar e os pais sequer notam a ausência. Isso também pode contribuir para a queda no desempenho escolar, daí a necessidade de estar atento”.

Alternativa de participação na vida escolar
Priscilla Lima diz que uma alternativa de participação dos pais na escola ou no dia a dia escolar dos filhos é estabelecer um diálogo com estes no caminho para casa. “É importante sempre indagar da criança como foi o dia dela na escola, mas não com perguntas que se encerram com respostas secas, como ‘legal’, ‘bom’ ou ‘chato’, e sim com questões que demonstrem ao pequeno seu real interesse pelo aprendizado dele”, orienta.

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A psicopedagoga cita como exemplos indagações do tipo: “o que você aprendeu hoje na escola?” Ou “o que você mais gostou de aprender?” “Teve alguma dificuldade na escola hoje? Qual exatamente?”

Segundo Priscilla, estabelecer essa simples rotina de conversas já faz uma diferença enorme no processo de aprendizagem dos filhos. “A criança se sente valorizada, amada e amparada, pois percebe o interesse dos pais pelo seu dia a dia”.

Dificuldades com as tarefas e o papel do reforço escolar

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A rotina de pais e filhos em relação à tarefa escolar não pode ser motivo de desavenças familiares

A escola não ensina e nem educa sozinha. A parceria com a família da criança é de suma importância. Nesse contexto, o acompanhamento dos pais na hora da tarefa de casa tem um peso enorme.

A psicopedagoga comenta que a aula de reforço, ainda que seja muito importante em alguns casos, não dispensa e nunca vai suprir o acompanhamento dos pais, pois este é afetivo e as crianças sentem isso.

“Eu faço indicação de reforço escolar para algumas famílias, mas só quando a tarefa de casa fragiliza as relações entre pais e filhos, ou seja, quando a hora da tarefa se torna infernal, com o pai que só ensina a partir de ameaças e a criança que só faz o dever chorando. Neste caso, o reforço é realmente a melhor solução”, pondera Priscilla.

Yndira Assayag
Filhos&Tal

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