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Estudo: infertilidade na endometriose pode estar ligada a defeito em enzima

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Até o momento, a medicina não conseguiu elucidar totalmente às causas da infertilidade na endometriose, ou incapacidade de engravidar por métodos naturais. Porém, um novo estudo, publicado recentemente no Science Translational Medicine, aponta que uma das possíveis razões do problema seja a desregulação da enzima HDAC3, essencial para a formação do embrião e para a gravidez.

Há muitos anos, os pesquisadores estudam as disfunções nas histonas. As mutações e defeitos nessa família de enzimas estão ligadas, por exemplo, ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer e de doenças hematológicas, como a leucemia e os linfomas

Essencial para implantação do embrião
Segundo os pesquisadores, a HDAC3 é uma das enzimas da família das histonas deacetilases, cruciais para diversos processos biológicos, principalmente no enrolamento da cromatina, que forma os fios que resultam nas moléculas de DNA.

Durante os estudos, foi apontado que a HDAC3 foi significativamente menor nas mulheres com o diagnóstico de endometriose em comparação com as mulheres saudáveis. Além disso, os pesquisadores que usaram modelos animais para fazer essa análise afirmaram que a evolução da endometriose está relacionada à diminuição progressiva da enzima.

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A pesquisa mostrou também que quanto mais a doença evolui, sem o tratamento adequado, mais danos ela pode causar à saúde da mulher, inclusive na fertilidade na endometriose.

O ginecologista e obstetra Edvaldo Cavalcante destaca que, conforme a pesquisa, a deficiência da enzima prejudica a implantação do embrião na parede do útero. Mas, apesar dessa relação, o estudo não foi capaz de mostrar uma ligação específica da disfunção da enzima com a infertilidade na endometriose.

“A falta da enzima ou sua expressão irregular altera a decidualização. Trata-se de uma reação que ocorre na segunda semana da gestação, depois que o óvulo desce das tubas uterinas em direção ao útero para se implantar no endométrio”, explica o especialista.

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Edvaldo ressalta, ainda, que o estudo foi importante para que novas descobertas, principalmente na área da genética, possam elucidar a infertilidade nas mulheres com endometriose, já que se trata de uma comorbidade com alto índice de prevalência.

“Inclusive, esta alta prevalência foi confirmada por nossa pesquisa no ano passado, realizada com 3 mil brasileiras”, comenta o médico.

Ainda de acordo com doutor Edvaldo, “o que temos hoje, com base nas evidências científicas já muito bem estabelecidas, é que a infertilidade na endometriose está relacionada às alterações dos tecidos do aparelho reprodutor feminino, além da inflamação crônica, típica da patologia”.

infertilidade-na-endometriose - Pixabay

A endometriose pode afetar as estruturas reprodutivas da mulher, levando à infertilidade – foto: Pixabay

Sobre endometriose
Doença ginecológica crônica e progressiva, a endometriose ocorre quando há crescimento benigno de tecido do endométrio fora do útero ou, seja, quando pedaços do revestimento uterino (endométrio) migram para fora dele e ficam incrustados em outros tecidos abdominais. A inflamação resultante desse processo (endometriose) pode afetar outras estruturas reprodutivas, como os ovários, trompas de Falópio, vagina e até o peritônio ou trato o gastrointestinal e urinário (menos frequente).

Entre os sinais mais evidentes da endometriose estão as fortes cólicas no período menstrual (que pioram ao longo do tempo), mas o problema também poder gerar dores durante o sexo, desconforto ao evacuar e urinar e até mesmo na região lombar e nas coxas. Se não tratada, a endometriose pode ter como consequência a infertilidade.

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Tratamento personalizado
Conforme o doutor Edvaldo Cavalcante, cada mulher deve ser tratada de forma individual, pois nem todas terão dificuldades para engravidar. “Muitas pacientes que passam pela cirurgia para remover as lesões da endometriose acabam engravidando naturalmente. Outras precisam recorrer aos métodos de reprodução assistida, como a fertilização in vitro”, diz.

Especialista no tratamento cirúrgico e clínico da endometriose, e assistente do setor de algia pélvica e endometriose do departamento de ginecologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Edvaldo afirma que o mais importante é que o diagnóstico da endometriose seja feito de forma precoce.

“A pesquisa mostrou que a evolução da doença está ligada à queda da expressão da HDAC3. Quanto mais a doença evolui, sem o tratamento adequado, mais danos ela pode causar à saúde da mulher, inclusive na fertilidade”.

Também segundo o médico, “o tratamento médico, que pode ser clínico ou cirúrgico, tem como foco aliviar os sintomas, principalmente a dor pélvica. Já a cirurgia, além de tratar a dor, pode ajudar a melhorar a fertilidade em vários casos, recuperando a fertilidade natural da mulher”.