Comportamento

O papel de avós na rotina das mães que precisam trabalhar

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Para as mães que precisam trabalhar, muitas vezes pode ser desesperador pensar em como conciliar a rotina com a criação dos filhos. De fraudas a papeladas, das mamadeiras a atendimentos ao cliente, algumas delas encontram nos próprios pais, ou seja, nos avós da criança, uma solução para conseguir ser mãe e prosseguir com a carreira profissional.

Esse comportamento foi analisado por Marília Tannuri Verni, mãe de dois filhos e dona da empresa Petit Papillon Bebê & Criança. Participaram da pesquisa 10 mil mulheres no Brasil, em 2018, e os dados foram divulgados pelo portal da revista Exame.

Segundo o estudo, 3 em cada 7 mães optam por deixar os filhos com os avós, quando vão trabalhar. 23% Optam pela creche, e 11% deixam a criança com o pai.

Além disso, das 10 mil mães que precisam trabalhar consultadas, 59% disseram que era difícil ou muito difícil conseguir vaga em creches, e 16% consideravam fácil ou muito fácil.

A bancária Analisa Brittes, de 35 anos, costumava deixar seu filho com a avó da criança, quando ele era bebê. “Eu fiquei afastada seis meses quando tive o João Miguel, mas depois eu precisei voltar à rotina, e a opção que eu escolhi foi deixar com a minha mãe, que mora perto de casa”.

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Ela conta que não confiava em deixar seu filho com uma pessoa menos próxima, quando ele era muito pequeno. “Agora o João já tem dois anos e está frequentando a creche. Decidimos colocar ele para que desenvolva o campo da socialização”.

A pesquisa realizada pela empresária Marília Tannuri concluiu também que 3 em cada 7 mulheres têm medo de perderem o emprego, se engravidarem. Apesar do receio, a participação feminina no mercado de trabalho é cada vez mais comum. São 40,8 milhões de mulheres, ou seja, 43,8% dos trabalhadores do mercado. Os dados são do IBGE.

Mães que precisam trabalhar são encontradas em todas as profissões. A capitã da Polícia Militar de Manaus, Luana Saunier, 28, usa da mesma rede de apoio para conseguir trabalhar sem se preocupar com a filha, Maria. “Eu senti dificuldade no início por conta da separação. Apareceu insegurança, medo da minha filha não entender quando crescer, mas eu logo percebi que era um pensamento irreal. A gente entende a dinâmica e o coração se acalma”, conta.

Em decorrência da profissão, Luana precisa tirar plantões em alguns finais de semana. Segundo ela, o que permite esses horários de trabalho é a rede de apoio que construiu com o marido, a mãe e a sogra. “Quando um não pode, o outro cobre a ausência”, explica.

A capitã da PM acaba por encontrar outros momentos para curtir com a filha. “No caminho de volta pra casa [depois de buscá-la na avó], meu marido e eu vamos brincando com ela. Tem também o nosso horário, juntas, antes de dormir. Eu não abro mão. Já nos fins de semana, eu tento ao máximo fazer todas as refeições com ela”, finaliza.

Se por um lado, as mães que precisam trabalhar conseguem tempo para serem inseridas ou voltarem ao mercado de trabalho, as ‘vózinhas’ aproveitam a oportunidade para viver novamente a criação e o cuidado com uma criança, agora seu neto ou neta.

“A minha filha ia trabalhar numa fábrica e deixava meu neto, Ian, comigo. Ele tinha uns cinco anos, em meados de 2013”, conta a avó Socorro Martins, de 53 anos.

Ela buscava o Ian na escola pela manhã, o levava pra casa, dava banho e comida. Já à tarde, o pequeno dormia, e depois acordava para passear. “Ficávamos esperando a mãe dele chegar. Era muito gostoso passar esse tempo com ele. Eu adorava”, lembra a avó.

 

Waldick Junior

Especial F&T