Bem-estar

Paciência e informação: a melhor receita para introdução alimentar

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Você sabia que são necessárias, em média, de 8 a 10 tentativas para a criança aceitar um alimento? O dado é do Ministério da Saúde e reflete a importância de dois ingredientes fundamentais para o sucesso de uma boa introdução alimentar: paciência e informação.

Ainda segundo o Ministério da Saúde (MS), o melhor momento para iniciar o contato do bebê com novos sabores é a partir dos seis meses, quando o organismo do pequeno já está preparado para novas experiências alimentares. Antes disso, a criança deve tomar apenas o leite materno, que já oferece todos os nutrientes e hidratação necessários ao seu desenvolvimento.

Especialistas afirmam que, nesse período, não há necessidade de oferecer nem mesmo água, chá, ou quaisquer outros líquidos, a não ser em casos isolados e com indicação expressa de um profissional de saúde.

“Uma má introdução alimentar pode acarretar diarreia, infecções intestinais, alergias alimentares e outras síndromes”, orienta a nutricionista Ana Rita Machado.

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Já o pediatra Diego Serrão alerta que, assim como tudo na vida de um bebê, a introdução alimentar é um processo de aprendizagem, por isso os pais precisam se preparar para este momento, com muita paciência e informação. Afinal, tudo é novo; sabores, consistências e até mesmo temperaturas, sendo natural que a criança rejeite ou aceite em quantidades muito pequenas.

“Troque a famosa frase o importante é fazer meu filho comer para o importante é ensinar meu filho a comer”, escreveu o especialista em seu perfil profissional no Instagram (@pai_pediatra), onde dá muitas dicas sobre alimentação infantil.

Como fazer a introdução alimentar

O processo é lento e gradual, pois cada bebê se adapta de forma diferente, com maior ou menor aceitação, por isso os pais não devem criar grandes expectativas.

“Comportamentos como ansiedade e impaciência pioram a recusa alimentar e facilitam o surgimento de distúrbios alimentares”, observa o doutor Diego Serrão em mais um de seus posts no Instagram.

Inicialmente, a nova alimentação é apenas complementar, e a mãe pode oferecer o peito após as refeições, caso o bebê ingira pouca quantidade dos novos alimentos. A partir daí também é importante que a criança passe a receber água nos intervalos.

Desenvolvida pelo Ministério da Saúde, a cartilha ‘Dez Passos para uma Alimentação Saudável’ (Guia Alimentar para Crianças Menores de 2 anos) estabelece que se ofereça alimentos complementares ao bebê a partir dos seis meses, três vezes ao dia. Caso, porém, a criança já esteja desmamada, esse número sobe para cinco.

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Alimento complementar é a denominação para a comida que passa a ser introduzida para o bebê – fotos: Freepik

 

Ainda segundo a cartilha, deve-se apresentar os alimentos aos poucos, e desde o início da introdução alimentar oferecidos em colher ou copo, no caso dos líquidos. Quanto à forma, começar com consistência pastosa, como purês e papinhas, e progressivamente aumentar a consistência até alcançar a alimentação comum da família. Deixe de lado a peneira e o liquidificador.

Quanto aos alimentos que podem ser oferecidos, o próprio Ministério da Saúde instrui para a variedade nas cores e tipos. “Só uma alimentação variada evita a monotonia da dieta e garante a quantidade de ferro e vitaminas que a criança necessita, mantendo uma boa saúde e crescimento adequado”, aponta a cartilha.

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Durante o processo, “é importante perceber se a criança já tem estrutura para receber determinado alimento. Se já consegue sentar, segurar e abrir a boca. Essas são as principais percepções para os cuidadores”, orienta a nutricionista Ana Rita.

O MS desaconselha a rigidez de horários e indica seguir a vontade da criança. É essencial que esta entre em contato com o alimento e coloque os sentidos para trabalhar, como tocar, amassar e cheirar aquela nova descoberta.

Uma boa dica, segundo o pediatra Diego Serrão é “começar a introdução alimentar com a criança no colo, e só nos dias seguintes passar para o cadeirão. Isso permite o afeto necessário para a melhor aceitação da comida”.

Não apenas os cuidadores e a criança, mas o próprio ambiente faz parte da introdução alimentar.

“Pratique o desapego da cozinha limpa. Na hora de oferecer os alimentos, deixe a criança manipular à vontade. O cenário vai ficar catastrófico, mas essa interação com o alimento, além de ajudar o desenvolvimento do bebê, vai ser importante na aceitação do alimento”, aconselha Serrão.

Introdução alimentar e desmame

Excluídos os casos de exceção, em que a criança não pega o peito ou a mãe tem algum problema para amamentar, a Organização Mundial de Saúde (MS) preconiza o aleitamento materno, de forma complementar, até o os dois anos de idade.

Entretanto, por questões particulares, algumas mães precisam fazer o desmame antes desta idade e uma boa dica para isso é o método BLW, o ‘Baby Led Weaning’, ou “bebê conduz o desmame’. Já ouviu falar? É também uma forma de introduzir a alimentação.

Criado por Gill Rapley, neste método, os pais colocam os alimentos para a criança e encorajam que esta tome os passos iniciais, como segurar a comida e colocar na boca, para então ingeri-la.

No vídeo abaixo, a mamãe do canal Amor de Família TV conta a sua experiência com o método, e dá dicas para um bom resultado.

Rejeição e tentativas

Segundo a nutricionista Ana Rita, “é importante ter em mente que a rejeição pode acontecer, e que é necessário tentar cerca de 10 vezes e de várias maneiras diferentes, até que a criança aceite”.

E que maneiras diferentes são essas? A profissional exemplifica. “Se eu ofereci purê de cenoura e a criança não aceitou, posso tentar no palito ou crua”. Nesses casos de rejeição por parte da criança, a nutricionista indica tentar novamente um ou dois dias depois.

O que não oferecer na introdução alimentar

Por último, e com certeza não menos importante, é essencial saber o que não é indicado para a criança de 6 meses a dois anos de idade.

Sorvete; refrigerante; sucos; alimentos ultraprocessados; enlatados; comidas com excesso de gordura, sal, açúcar, aditivos ou conservantes artificiais estão na lista de vetados pelo Ministério da Saúde.

Quanto a isso, papai e mamãe, levem essas observações para aquele parente que, possivelmente vai oferecer algo inadequado. Em um de seus posts, o Dr. Diego Serrão expõe a necessidade de toda a família participar desse processo, respeitando principalmente a criança.

Apesar de ser trabalhosa, a introdução alimentar é uma fase importante. Vivida da maneira correta, com paciência para entender o tempo do bebê, e informação no processo, todo o esforço valerá a pena.

Filhos&Tal

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