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Pandemia reduz em 50% adoção de crianças no Brasil; 30 são do Amazonas

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Além de todos os problemas de saúde que vem causando na população, a pandemia de Covid-19 também tem dificultado o andamento de processos de adoção de crianças no Amazonas e no Brasil inteiro.

Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no período de janeiro a junho de 2020, ápice da pandemia, o número adoções no Brasil foi reduzido em 50% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

A titular do Juizado da Infância e Juventude Cível do Amazonas, Rebeca Mendonça de Lima, afirma que a demanda da equipe técnica, responsável pelas visitas domiciliares, já era grande e dobrou com a pandemia.

“Os processos de adoção de crianças prescindem de intervenção da equipe psicossocial da vara, e um grande número está na fase da intervenção técnica, que necessita de atendimento presencial. Esse período foi desafiador, porque tudo era novo e as formas de intervenção remota para a maioria dos casos não era uma prática habitual.”

adoção de crianças - Pixabay

Adoção de crianças durante tempos de pandemia pode ser facilitada – fotos: Pixabay

Atualmente há 4,4 mil crianças disponíveis para adoção no Brasil, entre diferentes etnias e idades. Destas, 30 são do Amazonas, de acordo com o CNJ.

Além do atraso nos processos que necessitam da visita domiciliar, a preferência por idade também dificulta a agilidade na adoção de crianças. Apesar disso, sete crianças e adolescentes foram entregues para famílias habilitadas que estavam aguardando no estado.

“Construímos uma agenda de atendimentos e procedimentos remotos desses processos que ficaram reprimidos, identificando o que é possível realizar no formato virtual sem que a elaboração dos relatórios conclusivos infrinja os regulamentos profissionais.”, complementou Rebeca.

Projeto para desburocratizar
A fim de desburocratizar os processos de adoção no Brasil, o senador Fernando Bezerra (MDB-PE) apresentou um projeto de lei que propõe a diminuição no tempo de acolhimento institucional, que pode não só diminuir o tempo de espera na fila de adoção, como também tornar o processo mais confortável para a criança.

Em entrevista à Agência Senado, a advogada especialista em Direito da Família, Ana Brocanelo, ressalta o quanto o projeto teria impacto significativo. “A demanda por adoção de crianças mais novas é maior, e quanto menos tempos elas estiverem em situação de abrigo, menos idade elas terão ao serem adotadas.”

Porém, para algumas instituições de adoção, a mudança não é tão simples assim. Também em depoimento à Agência Senado, Wagner Yamuto, da Adoção Brasil, chamou atenção para a falta de investimentos e capacitação no setor técnico para que os prazos e regras já existentes de adoção de crianças atuais sejam cumpridos efetivamente.

Leia também: Programa de orientação para mães que querem pôr filhos para adoção

Lunna Farias
Filhos&Tal