Gravidez

Sarampo na gravidez: saiba os riscos e como evitar Depois de três anos sem a doença, Brasil passa a registrar novos casos

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O sarampo é uma doença altamente contagiosa, que causa febre e manchas no corpo, sendo uma das principais causas de mortalidade infantil em países subdesenvolvidos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), só em 2017, o mundo registrou mais de 110 mil mortes por sarampo, a maioria de crianças com menos de cinco anos. Também no grupo de risco estão as gestantes, já que o sarampo na gravidez ameaça a saúde da mãe e do bebê.

Em 2016, o continente americano recebeu do Comitê Internacional de especialistas da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) o certificado de eliminação da circulação do vírus do sarampo, e entre 2015 e 2018 o Brasil não registrou nenhum caso da doença. Porém, em fevereiro desse ano, o país voltou a protocolar novos casos, preocupando a comunidade médica.

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Segundo o médico Marcelo Cordeiro, PHD em infectologia, o sarampo na gravidez pode causar parto prematuro e até aborto espontâneo. Já a obstetra Elis Akamy, alerta para a possibilidade de catarata congênita no bebê, a encefalite (inflamação do sistema nervoso central) e infecções secundárias. A médica alerta ainda para o tratamento do sarampo na gravidez.

“A gestante pode tomar apenas sintomáticos, como paracetamol, para dor ou febre, e deve beber bastante água. Pacientes não vacinados, mas que têm a imunidade baixa, como crianças menores de seis meses, grávidas, ou portadores de HIV, em alguns casos, podem tomar a imunoglobulina, que é soro com os anticorpos [para combater o sarampo]”.

Como se contrai sarampo?
Causado pelo vírus Morbillivirus (altamente contagioso), o sarampo é transmitido pelo ar, quando uma pessoa não vacinada tem contato com outra já infectada, por meio de gotículas do nariz, boca ou da garganta do portador do vírus. A incubação da doença dura de sete a 21 dias, mas a transmissão inicia já a partir de cinco dias antes do surgimento dos primeiros sintomas.

Parecido com uma gripe ou virose, o sarampo causa febre acima de 38ºC, tosse seca, dor de garganta e dor muscular. Além disso, provoca manchas vermelhas na pele, que permanecem por no mínimo três dias. Algumas gestantes que contraem a doença apresentam lesões na boca e conjuntivite ou vermelhidão nos olhos.

Grávida pode tomar vacina contra sarampo?

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Não. O Ministério da Saúde alerta para que se evite tomar a vacina contra sarampo na gravidez, pois ela é produzida com o vírus ainda vivo, apesar de atenuado. Na gestação, a mulher perde imunidade, e isso facilita que a vacina desenvolva a doença ao invés de combatê-la.

O indicado é, antes de engravidar, conferir na caderneta de vacinação se estão todas estão em dia, incluindo a tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola). Cerca de um mês depois de se vacinar, já é possível engravidar sem que a injeção traga riscos para a mãe ou o feto.

“Caso tenha tomado a vacina contra sarampo e pouco depois descubra que estava grávida, é preciso informar o obstetra para o devido acompanhamento da situação”, orienta o doutor Marcelo Cordeiro.

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Prevenção contra o sarampo na gravidez
Como você já sabe, o sarampo é transmitido pelo ar. Então, no caso das gestantes não vacinadas, a melhor prevenção é “evitar o ficar próxima de pessoas suspeitas da doença, e também o contato com estrangeiros, especialmente em momentos de surtos”, indica a doutora Elis Akamy.

Mas como nem sempre é possível saber quem pode ou não estar com o vírus, o ideal é evitar locais com aglomerações, como shoppings, feiras, casas de shows e similares, onde o público é muito diversificado. Também é prudente pedir aos parentes e amigos mais próximos que se imunizem, caso ainda não tenham tomado todas as doses da vacina.

Para mais informações, disque saúde 136 e procure a unidade básica de saúde mais próxima.

Waldick Júnior
Especial F&T

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