Bem-estar

Fumaça e fuligem: médico alerta sobre perigos para a saúde das crianças

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Os efeitos produzidos pela fumaça e fuligem das queimadas, comuns neste período de estiagem, podem afetar a qualidade de vida das pessoas, principalmente a saúde das crianças. Intoxicação, acidente vascular cerebral (AVC), desordens cardiovasculares, enfisema pulmonar, asma, conjuntivite, bronquite, irritação dos olhos e garganta, tosse, falta de ar, nariz entupido, vermelhidão e alergia na pele estão na lista de problemas decorrentes das queimadas.

“Os principais efeitos que a gente vê, em consequência da inalação da fumaça, são problemas respiratórios. Então, a gente vê criança com muita tosse, dor de garganta e diversas outras reações”, afirma Guilherme Vernachi, médico pediatra do Sistema Hapvida.

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No ano passado, conforme pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) sobre o impacto das queimadas para a saúde das crianças na região amazônica, o número de crianças internadas com problemas respiratórios dobrou nas áreas mais afetadas pelo fogo. Foram cerca de 2,5 mil internações a mais, por mês, em maio e junho de 2019, em aproximadamente 100 municípios da Amazônia Legal.

O levantamento apontou ainda que, em cinco dos nove estados da região, houve aumento na morte de crianças hospitalizadas por problemas respiratórios. Entre janeiro e julho de 2018, foram cerca de 287 mortes a cada 100 mil crianças com menos de 10 anos. No mesmo período, em 2019, esse número subiu para 393.

De acordo com Vernachi, muitas crianças podem desenvolver problemas ainda mais sérios em virtude da inalação da fumaça, como pneumonia, no caso de crianças asmáticas. As recomendações dadas pelo pediatra para que as crianças sejam preservadas da insalubridade trazida pela fumaça e fuligem das queimadas é mantê-las dentro de casa e incentivá-las a usar máscara.

O médico detalha que os pais podem deixar em alguns ambientes da casa, principalmente no quarto, uma série de itens emergenciais para ajudar na saúde das crianças, como umidificador de ar, toalhas molhadas ou uma bacia de água para que o ar melhore a umidade.

Além disso, segundo ele, é necessário incentivar o aumento no consumo de água, pois, se a criança se hidratar bem, os pulmões e as vias aéreas poderão combater melhor a entrada das partículas da fumaça e fuligem de queimadas, fazendo com que o próprio organismo consiga eliminá-las.

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Vernachi recomenda que, caso a criança apresente sintomas mais graves de febre, tosse ou irritação nasal, por exemplo, é importante que seja levada a um médico pediatra, ainda mais neste momento de pandemia do novo coronavírus. O ideal é sempre evitar a automedicação e procurar um especialista para identificar se o problema é decorrente da fumaça ou algo mais sério.

Com informações da assessoria