Comportamento

Setembro Amarelo: crianças são 13% das vítimas de suicídio no AM Dados da Fundação de Vigilância em Saúde mostram crescimento nas mortes, independentemente da idade

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O Setembro Amarelo é uma campanha mundial de prevenção ao suicídio, problema que afeta inúmera famílias e que, no Brasil e no Amazonas, tem dados bastante preocupantes. Nesse contexto, é importante falar também sobre o perfil das vítimas.

No Amazonas, por exemplo, dentre as 1.685 pessoas que morreram por lesões autoprovocadas, entre 2015 e 2019, 13% (224) eram crianças de 10 a 14 anos, conforme o último boletim anual produzido pela Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM).

A pesquisa mostra ainda que os suicídios entre crianças tendem a variar pouco (um ou dois casos para mais ou menos) durante os anos. No entanto, quando esses números de mortes são vistos sem o recorte de idade, o resultado chama a atenção. “Observa-se que, a partir de 2018, ocorre aumento no número de notificações desse agravo [violência com lesão autoprovocada], tanto na capital quanto no interior do Estado”, informou a FVS-AM, em seu boletim sobre suicídios. Só em Manaus, os casos de suicídio subiram de 43, em 2015, para 66, em 2019.

Suicídio em crianças: fatores de risco

De volta aos menores, é importante ainda entender quais situações podem motivar as automutilações e tentativas de suicídio. Segundo especialistas, geralmente as causas de morte não se referem apenas a uma situação específica, mas sim estão dentro de um contexto maior.

A médica psiquiatra Alessandra Pereira participa, há anos, de inúmeras campanhas de prevenção à lesão autoprovocada, como o Setembro Amarelo. Segundo ela, os números estão aumentando.

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A médica psiquiatra publica textos semanais em seu Instagram, sobre saúde mental – foto: divulgação

“Infelizmente, o suicídio em crianças e adolescentes é uma realidade. Nos últimos anos, os indicadores de suicídio entre adolescentes têm aumentado, crescendo até 20 vezes nas últimas duas décadas. Isso deve ser encarado de forma séria pelas escolas e famílias”, afirma a especialista, exemplificando algumas das patologias que podem levar ao suicídio.

“A ideação suicida é comum na idade escolar e na adolescência. As tentativas de mutilação são raras em crianças pequenas, sendo mais comuns durante a adolescência. Isso ocorre, principalmente, quando esse jovem está inserido em um grupo familiar em crise ou conflito relacional frequente, em contextos como separação dos pais, violência doméstica, alcoolismo ou doença mental de um dos responsáveis. A doença física ou morte de alguém próximo também pode influenciar”, explica a psiquiatra.

Alessandra cita ainda outros casos que podem afetar a saúde mental das crianças e adolescentes, como cobrança excessiva dos pais, abuso sexual, negligência ou mudanças sociais bruscas, como troca de endereço e grupos de amizade.

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Sinais em crianças e adolescentes

Não só no Setembro Amarelo, mas durante todo o ano, é importante observar o comportamento das pessoas ao seu redor, porque nem sempre elas demonstram explicitamente alguma tendência suicida. Além disso, há diferenças no comportamento das vítimas a depender da idade, explica a psiquiatra.

“Diferente dos adultos, que se recolhem e ficam bastante fechados em seus pensamentos, as crianças e adolescentes manifestam muita agressividade e desesperança”, afirma a médica.

Segundo ela, adolescentes podem arriscar mais a vida sem medo, como praticar esportes radicais “sem técnica e equipamentos adequados”, dirigir bêbado, usar drogas ilícitas, ser promíscuo, entrar em brigas e/ou grupos considerados “marginais”.

Como lidar com a suspeita

Caso você suspeite que um familiar esteja acometido de depressão, ansiedade, ou outro fator que pode causar o suicídio, é importante que tenha algumas informações em mente.

“Todas as ameaças ou falas relacionadas ao suicídio devem ser encaradas com seriedade, mesmo quando possam parecer drama ou manipulação. É importante ajudar o jovem a avaliar sua situação, permitindo que ele descubra novas soluções de como lidar com aquele sofrimento, ajudando nas soluções e apoiando as ações mais concretas”, orienta a profissional.

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Ela pede que o responsável pela criança não minimize o sofrimento, e tente adotar uma postura de compreensão, essa essencial para a vítima.

“Os pais precisam estar atentos às mudanças de comportamento, principalmente, no caso dos adolescentes, o envolvimento com álcool ou outras drogas. Avaliar também as mudanças no padrão do sono ou apetite, o uso de expressões verbais como ‘queria sumir’ e a ausência de planos de vida”, afirma a especialista.

Campanhas de prevenção no Setembro Amarelo

A própria campanha Setembro Amarelo, criada pelo Centro de Valorização da Vida (CVV) em 2014, é uma forma de tentar combater os altos índices de mutilação no Brasil. O país está entre os piores índices de depressão, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Por causa disso, além de ONGs, os governos também têm agido para ajudar na prevenção aos casos de suicídio. No Amazonas, este ano, a campanha se chama ‘Deixe a vida florescer’ e conta com blitz informativas nas ruas, rodas de conversa e assistência psicológica gratuita.

Confira a programação da Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc):

04.09 – Lançamento da campanha na ponte Rio Negro

08.09 – Ação no PAC Alvorada / Live no instagram @redesejusc

09.09 – Ação no PAC Parque 10

10.09 – Ação no PAC Educandos e PAC Galeria

11.09 – Ação no PAC São José

14.09 – Ação no PAC Leste

15.09 – Ação no PAC Compensa / Live no instagram @redesejusc

16.09 – Ação no PAC Sumaúma

17.09 – Ação no PAC Via Norte

18.09 – Ação no PAC de Iranduba

21.09 – Ação no PAC de Itacoatiara

22.09 – Ação no PAC de Manacapuru / Live no instagram @redesejusc

23.09 – Ação no PAC de Parintins

29.09 – Live no instagram @redesejusc

30.09 – Encerramento com iluminação do Teatro Amazonas na cor amarelo

 

Waldick Junior

Filhos&Tal