Alimentação

Sobrepeso dos pais influencia diretamente na obesidade dos filhos, apontam estudos

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Ninguém é gordo porque quer, por gula ou falta de vergonha na cara. O fato é que a obesidade se tornou uma epidemia mundial e, cada vez mais, preocupa as autoridades de saúde, sobretudo por não haver um ‘remédio específico’ para controlá-la. As crianças também estão entre as vítimas do problema e a má alimentação pode não ser a única causa da obesidade.

Estudos recentes, nos Estados Unidos e no Brasil, mostram a influência direta da vida dos pais no maior ou menor risco de obesidade dos filhos. Fatores que, se diagnosticados precocemente e acompanhados de forma adequada, são perfeitamente controláveis.

Relatório publicado no site do Central for Disease Control and Prevention (CDC), em 2016, mostra que cerca de 50% das mulheres americanas que tiveram seus bebês incluídos nos dados de Certificados de Nascimentos de 2014 (96% de todos os partos) apresentavam sobrepeso ou obesidade.

“Entre as principais consequências diretas desse fato estão maiores chances de diabetes gestacional e hipertensão arterial, que podem aumentar as chances de parto cesariana, que pode trazer mais complicações posteriores para as mães e para os bebês”, observa o pediatra e homeopata Moises Chencinski.

O médico, que que é membro do Departamento de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo, ressalta que outro dado interessante, publicado no Genome Medicine, foi a observação de que as gestantes que ingerem maiores quantidades de gordura do que a desejável também podem interferir na formação da microbiota intestinal dos bebês e, assim, afetar o desenvolvimento do sistema imune e a evolução de peso da criança.

“Pesquisas e mais pesquisas sobre a obesidade são necessárias, pois essa história de comer menos, se exercitar mais e fornecer uma dieta pronta para todos não está funcionando. Estamos perdendo a batalha contra a obesidade. Os profissionais de saúde precisam se certificar de que os pacientes compreendem perfeitamente os diversos fatores que contribuem para o excesso de peso, incluindo genética, composição dos alimentos, saciedade, dentre tantos outros”, defende o pediatra.

Já no Brasil, uma pesquisa da professora Fernanda Ornellas, do Laboratório de Morfologia da Biologia Experimental e Humana da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), comprovou que a obesidade paterna influencia a prole na vida adulta, com comprometimento no processo de regulação da insulina, remodelação das células que armazenam gorduras e regulam a temperatura corporal e “hiperexpressão” do tecido adiposo de IL-6 e TNF-alfa em prole masculina.

Em contrapartida, a obesidade materna leva ao sobrepeso e alterações no perfil metabólico e no fígado, resultantes da ativação da lipogénese hepática com deficiência beta-oxidação. “Quando ambos os pais são obesos, os efeitos observados na prole feminina e masculina são exacerbados”, admitiu a professora.
A divulgação deste estudo foi feito pela Agência Brasil, em matéria que trata de pesquisa sobre influência da atividade física das mães na obesidade dos filhos. Também vale a pena ler.

Redação Filhos&Tal