Bem-estar

Uso de máscaras em bebês pode ser um risco, diz especialista

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Em um mundo pandêmico, pais e mães comumente se perguntam como — e se é preciso — colocar máscaras em bebês. A dúvida surge por uma série de questões, já que os pequenos podem sentir incômodo, mexer no equipamento, ou até tocar em superfícies sujas e levar a mão ao rosto. Mas o que dizem os especialistas sobre o tema?

“A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda a máscara a partir de dois anos, porque, nas crianças menores, é complicado. Ela pode ter algum risco de sufocamento, [como, por exemplo] crianças pequenas que tomam leite materno. [Elas] podem se sufocar, salivam bastante, e [com isso, a máscara] acaba ficando extremamente úmida”, comentou o médico infectologista Marco Lazzetti em entrevista à Agência Senado.

Além desses riscos, o especialista destaca que as crianças menores de dois anos não têm a habilidade de retirar a máscara adequadamente.

Máscaras em bebês: usar ou não?

O infectologista orienta que o melhor é não utilizar o equipamento de segurança. Segundo o doutor Marco Lazzetti, é preciso encontrar alternativas viáveis ao uso de máscaras em bebês.

“Não há essa necessidade [de máscaras em bebês]. O risco é maior que o benefício para a criança. Se o pai já está usando o equipamento e está em ambiente seguro, não precisa”, garante o especialista.

Como usar máscaras em crianças

No bate-papo com a Agência Senado, Lazzetti aproveitou para, também, orientar os pais sobre o uso de máscaras em crianças maiores de dois anos. Em resumo, segundo ele, o importante é ensinar o uso correto do equipamento.

“As crianças maiores precisam ser orientadas. [E esse processo] não é tão simples assim, a gente reconhece. [Mas] elas têm de ser estimuladas o tempo todo sobre o uso correto da máscara, e o exemplo vem dos pais, vem dos professores”, afirma o profissional.

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Ele enumera alguns riscos com uso de máscaras em crianças, mas ressalta que boa parte das questões pode ser resolvida com conversas e lembretes junto aos filhos.

“Se o pai conversar com essa criança, ir explicando todos os dias o motivo do porquê daquela máscara, ela pode ser utilizada. É que existem vários problemas, as crianças mexem mesmo no rosto, elas vão mexer nas coisas, elas trocam objetos, embora hoje as escolas estejam fechadas. Mas você precisa orientar. A criança de dois, três, quatro anos já consegue utilizar”, garante o especialista.

Lazzetti aproveita para dar outra dica. Na hora de orientar no uso de máscaras em crianças, os pais podem também fazer ‘brincadeiras’ que estimulem e ensinem a como colocar o equipamento corretamente.

“Você pode fazer jogos lúdicos, usar máscaras com personagens, treinar [as crianças] em casa. Além disso, outra coisa importante é que como as crianças se espelham nos pais, esses responsáveis não podem ficar reclamando da máscara na frente dos filhos, senão os pequenos vão reproduzir”, observa o médico.

Cuidados com a máscara

O infectologista também informou sobre o uso de máscaras por qualquer pessoa, independente de idade. A primeira dica é quando for colocar e retirar o equipamento, momento que deve receber total atenção.

“Se você retirar a máscara da maneira adequada, segurar pelo elástico [e não no tecido], colocar num saquinho de plástico, você pode depois retirar e colocar novamente, sem manipular a máscara”, afirma ele.

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O médico diz que o equipamento pode ser reutilizado também se estiver seco, portanto, é importante que se observe isso. Como ele adiantou anteriormente, crianças podem expelir mais saliva na fala, deixando a máscara úmida.

“E quando voltarem as escolas, a criança tem de ter mais de uma máscara, porque elas precisam ser trocadas durante o dia. Essa é a recomendação ideal, mas, se a máscara estiver seca, crianças mais velhas e adolescentes podem utilizar por mais tempo”, afirma o infectologista.

Waldick Júnior

Filhos&Tal