Educação

Volta às aulas presenciais na pandemia preocupa pais e responsáveis

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Embora os números da Covid-19 só aumentem no Brasil, alguns Estados e municípios já iniciaram processo de retomada das suas atividades econômicas e sociais, e no Amazonas não é diferente. Conforme decreto do governo, neste mês de junho, retornam as atividades comerciais, industriais e de serviços, já as que se referem à educação ficaram para o dia 6 de julho, mesmo assim, a possibilidade de volta às aulas presenciais em plena pandemia de coronavírus preocupa muitos pais e responsáveis.

A decoradora Bruna Santos, 28, mãe de Carlos, de oito anos, aluno do ensino fundamental do Colégio da Policia Militar, não tem segurança para enviar o filho de volta às atividades escolares presenciais. Ela conta que na família existem pessoas do grupo de risco e por isso fica apreensiva com o momento. “Estou bem dividida porque minha rede de apoio é do grupo de risco, e a escola seria o lugar para deixar enquanto trabalhamos. Se eu tivesse condições de ficar esse ano sem trabalhar, ele não iria voltar”, conta Bruna.

Segundo o plano apresentado pelo Estado, o chamado ‘4° ciclo’, que tem início previsto para 6 de julho, e entre as atividades contempladas estão das de creches, escolas e universidades da rede privada. Já a data de volta às aulas nas redes municipais, estaduais e federais ainda será definida, bem como as regras para o retorno seguro.

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 Diretrizes para a volta às aulas

O Conselho Nacional de Educação (CNE) enviou ao Ministério da Educação (MEC) uma resolução com diretrizes sobre a suspensão e volta às aulas presenciais. O texto foi aprovado pelo MEC no dia 1º de junho. Entre as diretrizes, a CNE fala de diversidade de atividades no ensino remoto, ações de acolhimento e avaliações diagnósticas no retorno às aulas presenciais.

A ONG ‘Todos Pela Educação’ também fez um relatório aos órgãos públicos e aos colégios para o mapeamento sobre quais serão as possibilidades de reposição de conteúdo, a volta às aulas e o saneamento básico das escolas. O documento também evidência que a educação, principalmente, a educação pública, é um pilar fundamental para a reconstrução de um país após crises profundas.

Já em Manaus, o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Privado do Estado do Amazonas (Sinepe-AM) fez uma pesquisa de opinião sobre o retorno às aulas presenciais em instituições de ensino particular, mas o resultado ainda não foi divulgado. Pais e responsáveis, no entanto, já estão pensando em alternativas para a volta às aulas em meio a pandemia da Covid-19.

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O que preocupa

Entre os que enxergam a escola como extensão da rede de apoio para que eles (pais) possam trabalhar, as preocupações são as mesmas: incerteza sobre o avanço do vírus, uso de máscara, distanciamento social e protocolos de segurança e higiene nas escolas, principalmente, quando atendem crianças menores de cinco anos.

A recepcionista Renata Silva, 31, mãe de duas crianças que estão no ensino fundamental, não acredita que as escolas estejam preparadas para a volta às aulas neste momento, e um dos motivos é a quantidade de alunos por sala. “Acho muito recente ainda, também acho que as escolas não têm estrutura para receber as crianças. Imagina uma professora com uma turma com 20 alunos? Ou ela vai dar aula, ou vai fazer com que as crianças evitem tirar às máscaras. Eu acho muito perigoso e estamos na torcida para que adiem essa retomada”, conta Renata.

Conforme o decreto de retomada gradual das atividades no Amazonas, o monitoramento dos casos de Covid-19 continua, e o avanço para cada uma das etapas de reabertura previstas dependerá da curva de casos novos e óbitos.

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De todo modo, os diálogos com as crianças devem permanecer, tanto para explicar o cenário atual de pandemia, como para explicar as medidas de segurança e higiene que são importantes. A psicóloga Raíssa Araújo diz que os processos de adaptação para a retomada devem iniciar por meio de conversa e explicações simples.

“Em relação às crianças, é importante se aproximar aos poucos da rotina de horários, visto que muitos saíram completamente dela. Se a criança que acordava às 6h tem acordado às 9h, por exemplo, é necessário iniciar um processo de adaptação para o retorno ao horário antigo. Conversar sobre, explicar como vai funcionar. Treinar o uso de máscara, reforçar a lavagem de mãos. E para os próprios pais, informar-se quanto às medidas de proteção que a escola está adotando. Tirar dúvidas com os gestores. Identificar as máscaras de proteção etc.”, explica à psicóloga.

 

Thayssa Castro

Especial F&T